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Atualizado às: 02 de janeiro, 2008 - 18h36 GMT (16h36 Brasília)
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Oposição e governo trocam acusações no Quênia
Soldados no Quênia
Tropas de choque estão patrulhando a capital do Quênia
Membros do governo e da oposição no Quênia trocaram acusações nesta quarta-feira, culpando-se mutuamente pela violência que eclodiu no país depois do anúncio da reeleição do presidente Mwai Kibaki, no domingo.

O principal líder da oposição e candidato derrotado à Presidência, Raila Odinga, não compareceu a um encontro convocado por Kibaki para tentar encontrar uma solução para a crise e prometeu participar nesta quinta-feira de um comício proibido pelo governo, por temer mais episódios de violência.

Um porta-voz do governo disse à BBC que os manifestantes pró-Odinga estão "engajados em limpeza étnica" de uma "maneira calculada e organizada".

Mas Odinga rebateu a acusação, afirmando que o governo de Kibaki é "diretamente responsável por genocídio".

Ao responder se pediria aos seus partidários que se acalmassem, o líder oposicionista disse à BBC que se recusa a dar “um anestésico ao povo do Quênia para que ele possa ser estuprado".

Tanto Kibaki como Odinga pediram o fim da violência, que já deixou cerca de 300 mortos – entre eles, mais de 30 queimados vivos em uma igreja no oeste do país.

Dezenas de milhares de pessoas estão buscando refúgio de grupos armados e saqueadores, com medo de novos ataques.

Delegação

Autoridades americanas e britânicas estão pedindo reconciliação das partes envolvidas no conflito.

A expectativa era de que, nesta quarta-feira, o presidente de Gana e enviado da União Africana, John Kufuor, chegasse a Nairóbi para tentar mediar uma solução para a crise.

No entanto, o ministro queniano das Finanças, Amos Kimuya, disse à BBC que a visita de Kufuor não mais ocorreria porque não há necessidade de intervenção internacional em um “incidente queniano”.

Segundo a correspondente da BBC no Quênia Karen Allen, o Quênia é um país com 42 tribos e as eleições expuseram uma profunda disputa entre etnias.

Brasil

Também nesta quarta-feira, o Itamaraty divulgou uma nota em que diz que o governo brasileiro acompanha “com preocupação” a situação no Quênia e “lamenta os tristes episódios de violência e de intolerância política.”

“A Embaixada do Brasil em Nairóbi vem monitorando o quadro de segurança do país e procurando informar-se da situação da comunidade brasileira ali residente”, diz a nota.

“O governo brasileiro faz um chamado a todas as forças políticas quenianas no sentido do pronto restabelecimento de um quadro de diálogo pacífico e de reconciliação nacional.”

A nota do Itamaraty diz também que, “até o momento, não há notícia de nenhum incidente envolvendo qualquer cidadão brasileiro” no país africano.

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