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Atualizado às: 23 de novembro, 2007 - 14h53 GMT (12h53 Brasília)
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Diante de impasse, Bolívia muda Constituinte para colégio militar

Índios Quechua protestam perto do prédio da Assembléia Nacional em Sucre
Índios Quechua protestam perto do prédio da Assembléia Nacional em Sucre
O governo do presidente boliviano, Evo Morales, decidiu nesta quinta-feira transferir a Assembléia Constituinte para um colégio militar na tentativa de garantir que os debates sejam realizados, após meses de interrupções.

As sessões da Assembléia estão suspensas desde o dia 15 de agosto, e, a poucos dias do prazo para a conclusão dos debates, marcado para 14 de dezembro, nenhum artigo foi aprovado pelos constituintes bolivianos.

Este prazo é uma prorrogação, já que no dia seis de agosto, data original para o fim dos trabalhos, reinava o impasse após vários meses de discussões entre situação e oposição.

Quando lançou a Assembléia, Morales disse que seu objetivo era fundar novamente a Bolívia. Mas os protestos realizados por seus seguidores e opositores levaram ao estancamento dos trabalhos.

Integridade

A presidente da assembléia, Silvia Lazarte, do partido MAS, disse que a decisão de transferir os debates para o colégio Tenente Edmundo Andrade foi tomada para proteger a "integridade física" dos 255 constituintes, como publicou a Agência Boliviana de Informação.

A medida foi tomada após votação entre os constituintes. O colégio militar está a cerca de cinco quilômetros da cidade de Sucre, onde, nos últimos tempos, foram realizados diferentes protestos, na porta do Teatro Grande Mariscal, endereço oficial da Assembléia.

Nos momentos de maior tensão, os manifestantes correram atrás dos constituintes que começaram a se esconder dos mais violentos. Por isso, a Assembléia foi suspensa, como reconheceu Lazarte em diversas ocasiões.

Esta semana, universitários e funcionários públicos de Sucre realizaram protestos, classificados de "racistas" nos bastidores do governo Morales. Eles gritaram: "O que não pula é 'llama'", em referência aos indígenas.

Nesta quinta-feira, líderes da oposição à administração Morales afirmaram que não pretendem participar das reuniões no colégio militar. E decidiram instalar um debate paralelo no Teatro Grande Mariscal.

"Diante desta nova ilegalidade e provocação, decidimos pedir as outras autoridades da Assembléia que convoquem, imediatamente, nova reunião em sua sede legal", disse Edwin Velázquez, do partido opositor Podemos.

A oposição, por sua vez, alega que será "perseguida" pelos protestos dos chamados movimentos sociais, que reúne as diferentes comunidades indígenas do país.

O porta-voz do partido oficial MAS, René Navarro, disse que se houver quorum, os debates serão realizados, mesmo sem a presença da oposição.

Segundo ele, os simpatizantes do MAS e do governo Morales realizarão uma vigília, nesta sexta-feira, para garantir essa mudança de endereço da constituinte.

"Esta será uma carta magna do MAS e não de toda a Bolívia", disse Ricardo Cueva, da oposição.

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