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Atualizado às: 06 de setembro, 2007 - 21h52 GMT (18h52 Brasília)
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Morales se diz vítima de discriminação na Bolívia

Evo Morales
Panfletos usam linguagem agressiva contra Evo Morales
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que é vítima de discriminação em panfletos distribuídos no departamento (Estado) de Santa Cruz de la Sierra e na cidade de Sucre, capital de Chuquisaca.

Em discurso na sua terra natal, Oruro, Morales afirmou: "Estes panfletos dizem: 'Plano para derrubar o índio de merda'."

A informação foi publicada, quarta-feira, na Agência Boliviana de Informação (ABI). No texto, afirma-se que Morales interpretou a propaganda como parte da mesma que "tenta expulsá-lo" da Presidência do país.

Representantes da oposição confirmaram nesta quinta-feira a existência do panfleto e ainda de pichações, principalmente, em Sucre com frases agressivas contra Morales. Mas eles negam a autoria das missivas, que não levam assinatura.

"Daqui da nossa entidade não saiu nenhum desses panfletos contra o presidente", disse o presidente do Comitê Cívico de Sucre, Jhon Cava, falando pelo telefone, da capital de Chuquisaca.

"Tem gente pintando isso e mais nos muros, mas são casos isolados. Tem muita gente insatisfeita com o presidente", acrescentou.

Em Sucre estão sendo realizados fortes protestos para que a Assembléia Constituinte volte a debater o retorno da presidência da República e do Congresso Nacional para esta capital, deixando a sede atual de La Paz.

Nesta quinta-feira, cerca de 60 pessoas saíram feridas, segundo a imprensa local, nas manifestações, que acabaram suspendendo as discussões na Assembléia Constituinte.

'Provocação'

Em Santa Cruz de la Sierra, o porta-voz do Comitê Cívico local – que reúne profissionais e parlamentares da oposição) – também confirmou que existem panfletos e pichações contra Morales.

"Mas em Sucre, onde a situação é turbulenta. Aqui, não. Mas é o próprio presidente que sai provocando as pessoas e então dá no que dá", criticou o porta-voz Daniel Castro, em entrevista por telefone.

"Estes panfletos não me surpreendem porque o presidente gerou uma polarização no país. Eu até desconfio que o serviço de inteligência está fazendo esta propaganda para que o presidente fique com cara de vitima diante do que ele chama de oligarquia, neoliberais e milionários das terras", disse Castro.

Por sua vez, para o líder boliviano, os autores desta campanha "racista" são opositores aos seus principais projetos como a nacionalização (de diferentes setores como petróleo e gás, já concretizado).

Na opinião de Morales, trata-se de uma "luta ideológica e cultural", estimulada por grupos que não querem perder seus "privilégios".

As declarações de Evo Morales ocorrem em um novo delicado momento na política do país.

No mês passado, situação e oposição brigaram a socos e pontapés numa discussão para destituir juízes do tribunal constitucional.

Na semana passada, prefeitos (equivalente a governadores) de seis dos nove departamentos do país apoiaram um dia de greve contra o governo Morales.

Mas a adesão foi considerada pífia até entre setores da oposição. A Bolívia é um país tradicionalmente dividido – no voto, no poder aquisitivo e nas condições de vida – entre Oriente (os estados mais ricos, como Santa Cruz e Tarija, entre outros) e Ocidente (a parte indígena que conta com La Paz e o maior apoio ao presidente).

"Não tenhamos medo. Eu estou visitando todo o país e sinto, em cada lugar que chego, que ninguém freia mais esse processo de mudanças", disse Morales em Oruro.

Socos na Câmara
Deputados brigam na Bolívia.
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