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Atualizado às: 02 de novembro, 2007 - 09h22 GMT (07h22 Brasília)
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Caso Jean Charles: Cresce pressão por renúncia de chefe de polícia
Ian Blair
Ian Blair conta com apoio do primeiro-ministro Gordon Brown
Representantes do principal partido de oposição na Grã-Bretanha e setores da imprensa britânica pediram a renúncia do chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, depois que a corporação foi considerada culpada de colocar em risco a segurança do público no episódio que resultou na morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes.

"Houve uma série terrível de erros e ele é a pessoa responsável", disse o indicado do Partido Conservador para monitorar as atividades da Procuradoria Geral, Dominic Grieve.

A polícia foi condenada na quinta-feira a pagar multa de 175 mil libras (cerca de R$ 634 mil) e mais 385 mil libras (cerca de R$ 1,394 milhão) pelos custos do processo.

Após o veredicto, Ian Blair anunciou que permaneceria no cargo, uma decisão que contou com o apoio do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Grieve disse que o incidente foi "vergonhoso em termos de competências da polícia, tendo em vista que uma pessoa inocente foi morta a tiros do jeito que foi, depois de uma série de acidentes que não deveriam ter ocorrido".

O eletricista foi morto a tiros pela polícia em 22 de julho de 2005, ao entrar em um vagão de metrô na estação de Stockwell, no sul de Londres, depois de ser confundido com um homem-bomba.

A promotoria identificou 19 falhas da operação policial nas horas anteriores à morte de Jean Charles.

Richard Barnes, líder dos conservadores na Assembléia de Londres, órgão com membros eleitos que fiscalizam as atividades da prefeitura da cidade, e membro da Autoridade da Polícia Metropolitana, órgão que fiscaliza as atividades da Polícia Metropolitana, disse que pretende ver Blair removido do cargo.

"Faremos uma reunião especial da Autoridade da Polícia para discutir o caso, espero que seja convocada nos próximos sete dias. Se Ian Blair não aceitar suas responsabilidades (e renunciar) deveremos fazer um voto de desconfiança".

O ex-subcomissário da Polícia Metropolitana de Londres, Brian Paddick, disse à BBC que Ian Blair estaria cometendo um erro ao afirmar que não renunciaria, antes de refletir com calma sobre o assunto.

A ministra do Interior da Grã-Bretanha, Jacqui Smith, rejeitou pedidos pela renúncia de Blair, dizendo que ele continua contando com o apoio dela. Porta-vozes de Downing Street, a sede do governo, disseram que o primeiro-ministro, Gordon Brown, também apóia a permanência do chefe de polícia no cargo.

Um novo relatório da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) está sendo aguardado, assim como um novo inquérito sobre o caso.

Família

A família de Jean Charles no Brasil disse que a polícia tem que pagar por seu erro.

Em Londres, o primo de Jean Charles de Menezes, Alex Pereira, disse que considerou "um bom começo" o fato de a polícia de Londres ter sido considerada culpada e disse esperar que o novo inquérito sobre o episódio ajude a esclarecer melhor as circunstâncias da morte e aponte "a culpa de cada um, individualmente" dos policiais envolvidos.

Em uma nota divulgada na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores ofereceu apoio à família: "O Ministério das Relações Exteriores renova a solidariedade e o apoio do governo brasileiro à família de Jean Charles de Menezes e continuará acompanhando o caso e prestando a assistência cabível".

Falhas

Durante o julgamento, a promotoria argumentou que "falhas fundamentais" em todos os níveis levaram à morte de Jean Charles.

A operação começou quando detetives que investigavam os atentados fracassados da véspera ligaram um dos suspeitos, Hussein Osman, a um bloco de apartamentos no sul de Londres.

Jean Charles morava no mesmo prédio e, quando saiu de casa, às 9h30 (hora local), os agentes de vigilância não estavam certos se ele era o alvo.

A promotoria disse ao júri que a situação piorou porque os oficiais mais altos falharam em se ater ao plano antes acordado, enquanto a patrulha armada foi mal informada e nas ocasiões erradas.

A polícia negou essas alegações e afirmou que os comandantes e agentes que participaram da operação fizeram o possível para interceptar o suspeito e minimizar os riscos para o público.

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