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Jean Charles morreu por agir como homem-bomba, diz advogado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O advogado de defesa da Polícia de Londres, Ronald Thwaites, disse nesta sexta-feira que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto porque, "ao ser confrontado pela polícia, em vez de colaborar, agiu exatamente como os policiais esperavam que um homem-bomba prestes a detonar um artefato reagisse". Em suas considerações finais no julgamento dos procedimentos adotados pela polícia na operação em que o brasileiro morreu, o advogado disse que o júri deve inocentar a polícia da acusação de violar regras de saúde e segurança do público. Segundo Thwaites, Jean Charles, baleado no dia 22 de julho de 2005 numa estação de metrô de Londres, agiu de “forma agressiva e ameaçadora” ao ser abordado pelos policiais naquele dia. “Além do mais, ele se parecia com o suspeito (Hussain Osman, que estava sendo procurado) e se comportou de forma estranha.” “Ele reagiu de forma agressiva e ameaçadora, como interpretou a polícia, e como vocês, ou eu, interpretariam naquelas circunstâncias, menos de 24 horas depois de ataques frustrados no metrô e num ônibus.” Ronald Thwaites disse supor que Jean Charles não foi benevolente com a polícia porque teria “drogas no bolso ou um carimbo falso no passaporte”. Acidente terrível Para reforçar a defesa, Thwaites citou o depoimento de alguns policiais ouvidos na corte sobre o comportamento de Menezes. O advogado lembrou que policial identificado como “Ivor” disse que o brasileiro parecia “agitado”, com “as mãos um pouco abaixo da cintura”. “Havia um medo de que ele poderia estar querendo conectar dois fios num cinto, numa bateria, num detonador, quem sabe?” Thwaites disse que nenhum dos policiais envolvidos na ação deveria ser culpado por “um acidente terrível, um acidente terrível, uma tragédia horrível, uma perda não só para aquele jovem, mas também para a família e amigos, mas a culpa não é da polícia”. “Eles todos (os policiais) fizeram conscientemente o melhor que puderam”, completou Cressida O defensor ainda criticou o tratamento que foi dado à comandante da operação, Cressida Dick, e disse que sua integridade havia sido "questionada" no tribunal. Para Thwaites, Cressida foi tratada como “uma criminosa comum” e a promotoria se aproveitou de seu depoimento para “culpá-la por tudo que julgou ter saído errado naquele dia”. Jean Charles de Menezes, um eletricista de 27 anos, foi morto com sete tiros na cabeça em um vagão do metrô depois de ter sido confundido com um suposto homem-bomba. O incidente aconteceu duas semanas após os atentados que mataram 52 pessoas na cidade e um dia após novos ataques frustrados. Depois de quatro semanas, o julgamento da polícia entra na reta final. Na semana que vem, o juiz faz um pronunciamento aos jurados, que a partir da terça-feira poderão anunciar o veredicto. |
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