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Policial diz ter feito 'o melhor que pôde' no caso Jean Charles | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O comandante John McDowell, que liderou a operação que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, disse nesta quarta-feira a um tribunal que pensa quase diariamente no caso, mas que acredita que sua equipe fez "o melhor que podia" para proteger a população "em circunstâncias muito difíceis". A polícia londrina está sendo julgada pela acusação de violar regras de saúde e segurança do público na operação do dia 22 de julho de 2005, duas semanas após atentados a bomba que mataram dezenas de pessoas e um dia após novos ataques frustrados na cidade. Para Alex Alves, primo de Jean Charles, "o comandante deveria ter vergonha de dizer que fez o melhor possível". "Houve erros muito grosseiros na operação. Se Jean Charles fosse mesmo um terrorista, muita gente poderia ter morrido", disse Alves à BBC. Unidade armada O comandante McDowell disse no tribunal que acreditava, naquele momento, que havia uma grande possibilidade de que houvesse um homem-bomba no bloco de apartamentos em que Jean Charles vivia. Ele teria então organizado uma operação para que o prédio fosse observado e que qualquer um deixando o local por volta das 6h fosse interceptado. No entanto, a unidade armada não recebeu informações de vigilância até 8h45 e não deixou a base até que Jean Charles estivesse dentro de um ônibus. "Foi o tempo necessário para que a equipe fosse reunida, informada e enviada", afirmou McDowell à corte. Respondendo à pergunta do juiz sobre se alguma coisa poderia ter sido feita de forma diferente, o comandante admitiu: "Em retrospecto, sim". McDowell também reconheceu que havia uma outra unidade armada na região, pronta para responder a emergências, que não foi enviada ao local e não soube explicar por quê. 'Julgamento inútil' No início do julgamento, que deve durar seis semanas, o tribunal ouviu que Jean Charles morreu na estação de metrô de Stockwell por causa de uma série de "falhas básicas" no planejamento da polícia. No entanto, a polícia alega que a morte foi "a culminação de uma série de coincidências trágicas e imprevisíveis". Para o primo de Jean Charles, Alex Alves, "o julgamento é inútil porque os envolvidos estão trabalhando normalmente". "Nós (a família) não responsabilizamos a corporação como um todo, mas achamos que o comandante é culpado pelo que aconteceu, e mais culpados ainda são os policiais que atiraram em Jean Charles", diz Alex. O primo de Jean Charles também criticou a divulgação de uma fotomontagem, apresentada pela polícia como evidência na corte, que mostra metade do rosto do brasileiro e metade do rosto de Hussain Osman, o suspeito com quem ele foi confundido. "Eles são completamente diferentes e, na montagem, parecem até gêmeos. Isso só serve para confundir", afirmou Alex. Histórico Um ano após a morte do brasileiro, a Promotoria britânica anunciou que nenhum policial seria acusado individualmente pelo episódio. Em vez disso, a Polícia Metropolitana como um todo seria processada por violar leis de saúde e segurança do público. Só depois deste primeiro processo – que começou na segunda-feira – é que será conduzido um inquérito sobre as circunstâncias que levaram à morte do brasileiro. A Justiça britânica decidiu, em junho deste ano, que o inquérito em relação ao caso deve ser conduzido independentemente do resultado do julgamento quanto às leis de saúde. A decisão de julgar a polícia londrina pela violação de regras de saúde e segurança do público foi tomada pela Promotoria britânica com base em um relatório preparado pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, em inglês). A mesma comissão preparou um outro relatório, chamado de Stockwell II, para investigar se houve acobertamento de fatos sobre a morte do brasileiro. O documento conclui que houve "fragilidade grave" por parte da polícia na divulgação de informações ao público. O relatório da comissão não mencionou o comandante da polícia, Ian Blair – que no dia seguinte à morte de Jean Charles afirmou que o brasileiro fugiu dos policiais e vestia, em pleno verão, um casaco pesado que poderia ocultar bombas. A comissão entendeu que um subalterno de Blair, o chefe da unidade de antiterrorismo da Scotland Yard, Andy Haymann, forneceu informações enganosas a seus superiores, levando a polícia a fazer declarações públicas erradas. Todos os policiais de baixa hierarquia envolvidos no episódio foram inocentados de inquérito. Em fevereiro deste ano, uma das oficiais que supervisionava a operação, Cressida Dick, foi promovida ao quarto cargo mais alto da Scotland Yard. |
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