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Análise: Políticos fazem teatro sobre Iraque, mas roteiro é de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Após dois dias de intensas e teatrais audiências no Congresso sobre a guerra do Iraque, o governo Bush pode invocar vitória. Claro que para uma Casa Branca vulnerável e desgovernada, o conceito de vitória é elástico. Significa conter a debandada de inquietos congressistas republicanos para as bandas da maioria democrata, que é favorável a uma rápida retirada das tropas americanas do Iraque, mas que carece dos votos necessários para suplantar um veto presidencial. Vitória para Bush será endossar em discurso na quinta-feira à noite as recomendações do seu comandante no Iraque, o general David Petraeus. Em particular nas audiências do Senado na terça-feira, senadores (dos dois partidos) se mostravam frustrados e exasperados, embora corteses, com o general. Mas a estratégia circular, well, segue circulando. Contra a vontade da opinião pública e do Congresso, Bush decidiu, no começo do ano, por um reforço de 30 mil soldados no Iraque. O objetivo era reduzir a violência e aplainar o terreno para o precário governo Maliki promover a reconciliação sectária. Talvez a violência tenha amainado em algumas partes do país, mas não houve progressos políticos. Bush, no entanto, vai anunciar a vitória. Haverá redução das tropas nos próximos dez meses, ou seja, o contingente voltará a ser de 130 mil soldados, como há dez meses. Quanto muito, a violência retornou ao nível do ano passado, em parte porque tribos sunitas deixaram de combater americanos para enfrentar a "filial" iraquiana da rede Al-Qaeda. É uma decisão não relacionada à nova estratégia de Bush. Em todo caso, o presidente está invocando vitória nesta frente de batalha. Eleições O que resta para a maioria democrata no Congresso fazer? Muitos republicanos relutam em abraçar medidas mais radicais, mas continuam inquietos com o quadro iraquiano, e, de olho nas eleições de 2008, eles precisam manter uma certa distância de uma Casa Branca impopular. No ar, estão ensaios de compromissos bipartidários envolvendo clamores pela mudança da missão no Iraque e o início da retirada de tropas, mas sem calendários definitivos que significariam um novo veto presidencial. O desafio é elaborar propostas que seduzam moderados republicanos, mas que também sejam engolidas pela base democrata antiguerra. No final das contas, os democratas fazem marcação cerrada contra o governo, mas estão suando para elaborar uma efetiva estratégia alternativa. O sucessor presidencial também suará bastante. Bush estará deixando para o próximo ocupante da Casa Branca decisões cruciais sobre a guerra. Sua "estratégia de saída" é, a rigor, sair do poder com pelo menos 100 mil soldados americanos no Iraque. |
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