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Atualizado às: 28 de agosto, 2007 - 08h34 GMT (05h34 Brasília)
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Apesar de melhorias, Nova Orleans continua vulnerável a furacões

Bomba de sucção criada para drenar águas dos lagos (foto: Bruno Garcez)
Engenheiros militares criaram novos portões e barragens contra furacões
Desde que o Katrina atingiu em cheio Nova Orleans, causando a inundação de 80% da cidade e danificando mais de 200 mil casas em 2005, os engenheiros do Exército americano vêm promovendo uma série de obras para tornar a cidade mais segura contra possíveis furacões.

Mas, a despeito de melhorias, como portões para conter possíveis enchentes e barragens mais altas e sólidas do que as que cederam com a força das enchentes causadas pelo Katrina em 2005, a cidade segue vulnerável contra um furacão de grandes proporções.

E os engenheiros militares estimam que só será possível concluir todos os trabalhos necessários para que Nova Orleans resista a um furacão de impacto máximo - a chamada categoria 5 - em 2011.

Os técnicos militares promoveram uma simulação feita em computador para avaliar a pior tempestade que poderia acometer a cidade em 100 anos e chegaram à conclusão de que os recursos necessários para a prevenção só se darão plenamente em quatro anos.

Riscos

Simulações semelhantes já foram feitas em outros locais vulneráveis a enchentes como a Holanda, por exemplo, que tem um quarto de seu território abaixo do nível do mar e aposta em uma esquema de barragens, dunas e diques para se proteger de inundações.

Em entrevista à BBC Brasil, o tenente-coronel Murray Starkel, diz que ''com certeza, ainda existem riscos'' desde agora até 2011, mas, acrescenta, ''a cada dia estamos ampliando a nossa proteção, aumentando a altura das barragens, criando barreiras mais resistentes''.

Barragem contra tempestade tropical
Apesar das melhorias, cidade ainda está vulnerável

Os militares enfrentaram fortes críticas após o Katrina, pois foram eles os responsáveis pela edificação das barragens que cederam com a força do furacão em agosto de 2005. Muitas delas foram edificadas em solos úmidos, característicos das regiões de pântano que circundam o estado da Louisiana e que contribuíram para que as barreiras se soltassem.

''Os solos aqui são um desafio, mas um desafio que agora estamos aptos a enfrentar. Estamos procurando fincar os bloqueios de forma mais profunda e em solos mais resistentes'', afirma Starkel

Meses após a tragédia, o então comandante do Corpo de Engenheiros do Exército renunciou ao cargo e admitiu que sua entidade cometeu ''falhas catastróficas''.

Caminho da destruição

O jornalista Mark Schleifstein, do jornal de Nova Orleans Times Picayune e co-autor do livro Path of Destruction, sobre o impacto do Katrina e outras tempestades tropicais, diz que não resta outra opção aos moradores de Nova Orleans do que a de confiar nos engenheiros do Exército.

''Não temos outra escolha. Eles são os únicos que estão fazendo alguma coisa, promovendo estudos com o auxílio de especialistas e da iniciativa privada. Os portões que impediriam a entrada da água e que foram construídos recentemente parecem muito bem projetados'', afirma Schleifstein.

Ele lembra que o Estado da Lousiana impôs como norma a empresas de construção da cidade que as novas casas e edifícios a serem erguidos ou restaurados precisam ser capazes de resistir a ventos com velocidade de entre 130 a 150 milhas por hora (aproximadamente 209 a 241 quilômetros por hora).

Schleifstein, que escreve sobre os impactos ambientais do Katrina, afirma que o furacão destruiu um total de 518 quilômetros quadrados de terrenos pantanosos, que são capazes de mitigar os efeitos de uma tempestade tropical.

Mas o autor afirma que o Estado está investindo em um projeto que visa transpor águas do Rio Mississippi para criar novas regiões pantanosas, que poderiam absorver o impacto de chuvas de grande proporção.

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