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Atualizado às: 24 de agosto, 2007 - 16h57 GMT (13h57 Brasília)
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Medo da crise põe pressão em políticos dos EUA, diz analista

O presidente dos EUA, George W. Bush
Temor da classe média pode ter impacto na disputa presidencial
As constantes turbulências nos mercados financeiros mundiais, a crise no meio imobiliário dos Estados Unidos e as previsões de uma possível recessão econômica no país são fatores que irão colocar pressão sobre os políticos americanos em 2008, segundo Mark Bloomfield, presidente do instituto de análises econômicas American Council for Capital Formation (ACCF), de Washington.

''Vivemos numa sociedade de classe média, na qual existe atualmente o medo de não poder se mudar para a casa que você comprou, o medo do aposentado, que de repente vê o seu rendimento cair, ou o temor de quem acabou de se aposentar'', afirma Bloomfield.

A estas dúvidas acrescenta-se ainda o ceticismo em relação à classe política por parte da opinião pública americana.

''A confiança depositada no presidente e também no Congresso atingiram um nível negativo recorde.''

Segundo Bloomfield, um ano antes da eleição presidencial, a população média dos Estados Unidos quer ''respostas, consertos e soluções'' e cada vez mais vai exigir que tais respostas partam de Washington e não de medidas anunciadas pelo Federal Reserve, o Banco Central americano.

Oscilações

No entender de Mark Bloomfield, as respostas propiciadas por políticos poderão até ser demagógicas, mas os americanos querem que seus representantes eleitos indiquem diretrizes, dêem sinais de como eles poderão ser afetados e de que forma podem se prevenir.

''O senhor e senhora classe média padrão não querem saber de termos econômicos complicados vindos do mercado financeiro. Mais e mais eles vão se voltar para seus congressistas e perguntar: 'o que você vai fazer por meu emprego, pela minha aposentadoria e pela minha hipoteca?'''

As últimas semanas têm visto uma constante oscilação nos mercados mundiais, com quedas súbitas, seguidas de ligeiras recuperações, propiciadas em parte pelas intervenções do Federal Reserve, que, na semana passada, reduziu a taxa de redesconto para tentar tranqüilizar o mercado.

Mas ações como as do Federal Reserve fogem à percepção do americano médio, no entender do analista.

''Eles lêem nos jornais que os presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão estão tomando atitudes, mas eles não vêem os resultados. A única coisa que sentem é que a cada oscilação do mercado, eles se sentem mais nervosos do que no dia anterior.''

Na raiz da crise atual está a bolha imobiliária americana, fomentada por bancos que concederam empréstimos a clientes com histórico de crédito ruim, acarretando em atrasos no pagamento de hipotecas ou mesmo no não-pagamento.

Existem temores no país de que a inadimplência de financiamentos imobiliários venha a reduzir o consumo das famílias americanas, que vem impulsionando o crescimento econômico americano dos últimos anos.

O consumo nos EUA sofreu uma redução no primeiro trimestre deste ano e consumidores vêm manifestando temores em relação a aumentos de preços nos setores de alimentos e combustíveis.

Corte de juros

Analistas financeiros acreditam que o Federal Reserve poderá anunciar um corte em sua taxa de juros dos fundos federais - a mais importante da política monetária americana.

Analistas estimam que seria um corte na faixa de 0,25%, uma medida que seria bem vista pelos mercados mundiais.

O anúncio, se feito, só se dará após a próxima reunião de política monetária do Federal Reserve, no dia 18 de setembro. Mark Bloomfield julga ser impossível prever se que o Federal Reserve tomará ou não esta decisão.

''Se eu soubesse essa resposta, não estaria aqui conversando com você, mas sim desfrutando de dólares, euros ou rublos, velejando e pegando sol'', brinca o analista.

Desfecho

Segundo Bloomfield, é cedo para antever qualquer desenlace possível para a atual crise.

''Já vivemos temores semelhantes em 1997 e em 1999, que acabaram sendo contornados''.

Para o presidente do ACCF, a atual crise poderá também ser controlada, mas, no momento, tudo indica que ela está ''se dirigindo para o processo político''.

Ele acrescenta que ''todos os indicadores são de que haverá um impacto sobre o crescimento econômico dos Estados Unidos e da Europa e que isso é o começo de uma recessão''.

"Não estou dizendo que iremos viver uma recessão, mas é algo possível, existe esse risco. Mas, se acontecer, não creio que será algo extremamente dramático, como a Grande Depressão de 1929. Desde então, já aprendemos bastante."

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