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FMI diz que crise nas bolsas é 'administrável' | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta sexta-feira que a atual instabilidade nos mercados financeiros internacionais é "administrável", apesar das quedas registradas nas bolsas de valores em todo o mundo. Em uma nota, o FMI afirma acreditar que as bases que sustentam o crescimento global permanecem no mesmo lugar. No mercado, no entanto, a expectativa é de que a atual instabilidade ainda dure várias semanas. No Brasil, o índice Bovespa caiu e a cotação do dólar subiu nesta sexta-feira. O dólar fechou em alta de 1,3% e chegou a R$ 1,952, maior cotação desde junho. O índice Bovespa teve queda de 1,48%, atingindo 52.712 pontos. Durante a sessão do dia, o índice chegou oscilar com baixa de 3%. Intervenções No resto do mundo, o dia também foi de perdas. Nem mesmo as intervenções dos bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos nos mercados foram suficientes para reverter o quadro de quedas mundiais. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, injetou no sistema financeiro do país um total de US$ 35 bilhões, em duas operações separadas. Na primeira delas, o Fed cedeu US$ 19 bilhões para as reservas dos bancos (a mais volumosa injeção aberta e temporária de recursos do BC americano no mercado em quatro anos) e, depois, mais US$ 16 bilhões. Por sua vez, o Banco Central Europeu (BCE) injetou mais 61 bilhões de euros para enfrentar o problema, um dia depois de ter colocado no mercado o volume recorde de 94,8 bilhões de euros. De acordo com a repórter da BBC Brasil em Paris, Daniela Fernandes, analistas internacionais avaliam que a ação dos bancos centrais de injetar recursos no mercado monetário é uma faca de dois gumes. Para eles, os bancos centrais passam uma mensagem de confiança, reiterando que a liquidez dos mercados está assegurada. Mas, ao mesmo tempo, transmitem medo, já que os investidores podem interpretar que os problemas são suficientemente graves para necessitar uma intervenção. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 3,7%, o CAC da bolsa de Paris teve baixa de 3,13% e o DAX, da bolsa de Frankfurt, terminou o dia com queda de 1,48%. Do outro lado do mundo, não foi diferente: a bolsa de Tóquio fechou com baixa de 2,4%, e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 2,88%. Crédito imobiliário Segundo analistas, a atual instabilidade é resultado da crise no mercado de crédito imobiliário de risco nos Estados Unidos, onde muitas pessoas estão ficando sem pagar suas dívidas. A falta de confiança mútua entre os bancos para a realização de empréstimos, gerada pela situação americana, estaria fazendo com que os bancos com recursos excedentes hesitassem em emprestar dinheiro às instituições financeiras que precisam tomar recursos para honrar seus compromissos. "É bastante claro que há muito medo enraizado e vai demorar um pouco para que isso seja resolvido", disse à agência Reuters Marc Ostwald, analista de títulos da Insinger de Beaufort, de Londres. A mais recente onda de quedas começou na quinta-feira, depois do anúncio do banco francês BNP Paribas, um dos maiores da Europa, de suspensão das operações de resgate e de depósitos de três fundos de investimento, totalizando 2 bilhões de euros. A decisão seria reflexo da inadimplência no mercado americano de hipotecas do tipo "sub-prime" (concedidas a pessoas e empresas de alto risco) que influenciam diretamente os fundos suspensos do Paribas. Como resultado, os investidores venderam em massa ações dos grandes bancos, expostos ou não ao risco dos "sub-prime". |
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