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Lula tenta afastar temores europeus sobre biocombustível | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, em Bruxelas, que o Brasil está desenvolvendo um programa de certificação “que permitirá mostrar que toda cadeia de produção dos biocombustíveis no país respeita critérios ambientais, sociais e trabalhistas”. O anúncio foi feito na abertura da conferência internacional de biocombustíveis promovida pela Comissão Européia, em que Lula discursou como convidado de honra, logo depois de o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, ressaltar que na Europa “há preocupações legítimas em relação aos danos ambientais que a produção de biocombustíveis poderia causar”. Diante de uma platéia que reuniu ministros, estudiosos, empresários e organizações não governamentais, o presidente negou as maiores preocupações levantadas em relação ao aumento da produção de biocombustíveis no Brasil. “A experiência brasileira mostra ser incorreta a oposição entre uma agricultura voltada para a produção de alimentos e outra para a produção de energia. A fome no meu país diminuiu no mesmo período em que aumentou o uso dos biocombustíveis. O plantio de cana-de-açúcar não comprometeu ou deslocou a produção de alimentos”, afirmou. “Todos sabemos que não há escassez de alimentos no mundo, mas escassez de renda capaz de garantir o acesso das populações mais pobres ao que comer. Não estamos aqui escolhendo entre comida e energia.” Contra as críticas de que a expansão da produção de cana-de-açúcar poderia ameaçar a floresta amazônica, Lula disse que “o cultivo da cana no Brasil ocupa menos de 10% da área cultivada do país, ou seja, menos de 0,4% do território nacional”. “Essa área, é bom que se diga, fica muito distante da Amazônia.” Democratização Lula também defendeu a criação de padrões internacionais de normas técnicas sobre o etanol e o biodiesel, o que abriria caminho para que esses combustíveis alternativos sejam considerados commodities e possam ser negociados internacionalmente, com cotação em Bolsa. Para o presidente, a inclusão dos biocombustíveis na matriz energética internacional também ajudaria a “democratizar” o acesso a fontes de energia. "No mais humilde dos países, qualquer um tem a tecnologia e o conhecimento para cavar um buraco de 30 centímetros e semear uma planta oleaginosa." “Estaremos reduzindo as assimetrias e desigualdades entre os países consumidores e produtores de energia, e prevenindo potenciais conflitos derivados da competição por recursos energéticos finitos”, afirmou. Tarifas Sem citar nomes, Lula ressaltou que “os mesmos governos que defendem publicamente seus compromissos com desenvolvimento sustentável e com a redução do efeito estufa não podem criar empecilhos para que os combustíveis se transformem em commodities internacionais e não podem gravar suas importações com pesadas alíquotas que não aplicam ao petróleo”. A mensagem pode ter sido dirigida a Bruxelas, que atualmente aplica uma tarifa de importação de 19,2 euros (cerca de R$ 50) a cada cem litros de etanol importado do Brasil. O presidente, entretanto, afirmou que ainda não é hora de falar na redução dessas tarifas. “Primeiro devemos criar um mercado internacional para os biocombustíveis. Depois falaremos em números”. Lula também anunciou que o Brasil promoverá uma conferência internacional sobre biocombustíveis em julho de 2008, no Rio de Janeiro, que ele pretende que “constitua um marco histórico” para o mercado desses combustíveis alternativos. O presidente também se disse otimista em relação à conclusão da Rodada de Doha. “Depois destes dois dias em Bruxelas e Lisboa, vou embora com a convicção de que vamos conseguir um acordo. Tivemos uma atmosfera tão positiva que temos que avançar”, afirmou. |
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