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Atualizado às: 03 de julho, 2007 - 17h05 GMT (14h05 Brasília)
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Mandelson se diz 'perplexo' com declaração de Lula

Peter Mandelson
Mandelson diz que não se pode falar em impasse nas negociações
O comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, se disse "perplexo" nesta terça-feira com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o fracasso do encontro entre Brasil, Índia, União Européia e Estados Unidos, realizado em Postdam, na Alemanha, no último dia 21.

Em entrevista à BBC Brasil, Mandelson, que tem a responsabilidade de cuidar dos interesses europeus nas negociações agrícolas da OMC (Organização Mundial do Comércio), afirmou que o momento não é para retórica, e sim para negociar.

"Estou perplexo com estas declarações. Não tenho idéia do que ele quer dizer com isso", disse o comissário europeu. "Os negociadores brasileiros estão muito familiarizados com o que nós fazemos, com o que estamos oferecendo, qual o nível de flexibilidade que nós podemos ter."

"Mais do que entrarmos na retórica, devemos entrar na negociação séria", acrescentou. "Isto é o que eu espero que façamos o mais rápido possível."

As declarações de Mandelson foram uma reação aos comentários de Lula sobre as negociações de Postdam.

"A União Européia falou, falou, falou, mas, na hora de apresentar a carta que estava no bolso, não apresentou", disse o presidente, na segunda-feira, em São Bernardo do Campo.

"A União Européia e os Estados Unidos fizeram um acordo em que nem os Estados Unidos diminuiriam o subsídio para sua agricultura, nem a União Européia abriria qualquer flexibilidade nos produtos agrícolas", afirmou.

"E queriam que nós abríssemos mão dos produtos industriais e do setor de serviços, e nós fizemos questão de dizer que tinha acabado aquele momento da subserviência. Nós queríamos ser tratados em pé de igualdade", disse Lula.

Cúpula

Mandelson estará nesta quarta-feira na cúpula entre União Européia e Brasil, que terá a liberalização comercial como um dos temas. Na entrevista, o comissário apresentou uma avaliação da atual situação das negociações da OMC.

"Fizemos grandes progressos e há muitas áreas das negociações que podemos fechar, mas também há outras áreas de excepcional importância, não só na agricultura como nos bens industriais, em que ainda temos de convergir e chegar a uma conclusão que seja boa para todos, e particularmente para os países em desenvolvimento", disse.

Apesar de reconhecer que as negociações passam por um momento "muito difícil", o comissário europeu diz que a situação agora é melhor do que no ano passado, quando as conversações foram suspensas por meses.

"Agora, voltamos e acredito que tenhamos conseguido diminuir as diferenças que existiam anteriormente", afirmou. "Do meu ponto de vista, estas diferenças que sobram podem ser resolvidas e devemos não aumentar as diferenças políticas e a retórica política que atrapalham o caminho da negociação."

Na avaliação de Mandelson, as posições nas mesas de negociação não estão tão distantes em termos econômicos, mas é preciso levar em conta os pontos de vista de todos os envolvidos.

"Temos de levar alguma coisa para quem nós representamos que seja justo, proporcional", disse. "Estou preparado, em nome da União Européia, para fazer os compromissos que esperam que nós façamos. Temos que ver algum equilíbrio nas negociações."

Alternativa

O comissário europeu afirmou ainda que não considera que as negociações bilaterais possam ser uma solução caso a Rodada Doha de liberalização do comércio fracasse.

"Qualquer um que acredite que, no caso de as negociações multilaterais falharem, a alternativa União Européia-Mercosul possa prevalecer acabará desapontado", disse Mandelson.

"O que está sendo oferecido ao Brasil e à Argentina nas negociações bilaterais é inferior às vantagens que eles poderiam obter nas negociações multilaterais", acrescentou.

"As pessoas têm que se dar conta de que, se as negociações multilaterais falharem, não poderão compensar esse fracasso com um acordo bilateral."

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