|
Nova taxa sobre têxteis viola regras da OMC, diz especialista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A taxação sobre importações de produtos têxteis baseada no peso e não no valor do produto, proposta pelo governo nesta terça-feira para impulsionar setores industriais prejudicados pelo real forte, é ilegal, segundo um especialista em direito comercial internacional ouvido pela BBC Brasil. De acordo com o advogado Durval de Noronha Goyos Jr., que arbitra na OMC (Organização Mundial de Comércio), os compromissos comerciais assumidos pelos Brasil na entidade prevêem que a tarifa máxima aplicada às importações seja de 35% e se baseie somente sobre o valor (ad valorem), não sobre o peso (ad rem). A eventual mudança na natureza da taxação, passando a ser considerada sobre o volume e não mais sobre o custo, iria nitidamente contra as regras comerciais internacionais. "O que se trata, na verdade, é de uma medida tanto protecionista quanto ilegal por parte das autoridades brasileiras, no regime jurídico multilateral da OMC", disse Noronha à BBC Brasil. A possível mudança de taxação "vai trazer de uma forma ou de outra a deterioração das relações comerciais do Brasil com a comunidade internacional e vai causar uma perda de credibilidade, por desacatar o ordenamento jurídico multilateral", prevê. O Ministério da Fazenda informou, por meio da assessoria de imprensa, que a OMC aceita a cobrança de imposto baseada no preço internacional das matérias-primas. De acordo com a assessoria, o imposto será calculado com base no preço internacional do produto, e não no valor que consta na nota, normalmente muito abaixo do mercado. China Por ser uma grande exportadora de produtos têxteis ao Brasil, a China deve ser o principal parceiro comercial afetado pela medida. "Certamente, a medida não será bem recebida na China, pois os produtores se considerarão vitimas de uma ação ilegal por parte do governo brasileiro", avalia Noronha. Mas segundo o secretário-executivo da Câmara do Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini, a medida não é discriminatória contra a China. "A aplicação da tarifa por peso (ad rem) será para importações oriundas de qualquer país, portanto não há discriminação contra a China", afirmou. Mugnaini ressalta que a taxação ainda é apenas uma proposta, que será analisada na próxima reunião de ministros da Camex, marcada para o dia 19. Por sua vez, Liyong Hong, um especialista em comércio entre os dois paises baseado em Xangai, diz que não acredita "que o Brasil seja um destino para as exportações chinesas tão importante a ponto da China retaliar na OMC". Em fevereiro de 2006, a China assinou com o Brasil um acordo para a restrição voluntária das suas exportações de 70 tipos de têxteis, que na época equivaliam a 60% dos produtos exportados. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o setor têxtil e de confecção teve déficit de US$ 64 milhões (cerca de R$ 124 milhões) na balança comercial com a China no ano passado. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS OMC impõe regras para Brasil proibir importação de pneus reformados12 junho, 2007 | BBC Report Doha: Emergentes vêem chance de acordo no final do ano11 junho, 2007 | BBC Report G4 está 'paralisado pelo medo', diz diretor da OMC24 abril, 2007 | BBC Report Europa decide endurecer combate a barreiras do Brasil18 abril, 2007 | BBC Report Comércio mundial deve crescer menos em 2007, diz OMC12 abril, 2007 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||