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Para sair do Mercosul é só querer, diz Lula sobre Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em Lisboa, que se o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não quiser entrar no Mercosul, basta manifestar isso oficialmente. Questionado sobre a ameaça do presidente venezuelano de retirar sua candidatura ao bloco econômico caso o Senado brasileiro não aprove a entrada do país em três meses, Lula disse: "Obviamente que para entrar tem que ter a aprovação dos quatro membros do Mercosul, terá que ter a aprovação dos quatro congressos nacionais do Mercosul". "Agora, para sair, não tem regras. É só não querer ficar, não fica." Lula procurou desculpar o ultimato de Chávez ao Senado brasileiro: "Acho difícil a gente fazer política internacional interpretando o que as pessoas falaram em função do momento da pergunta. O relacionamento entre dois Estados se dá com muita conversa." O presidente brasileiro disse que pretendia resolver as diferenças com a Venezuela na reunião do Mercosul que se realizou no Paraguai: "Eu imaginava que ia conversar com o Chávez agora no Paraguai, mas ele não foi por compromissos no exterior". "Mas não vai faltar oportunidade de conversar com o Hugo Chávez, porque nós queremos manter a Venezuela no Mercosul. Como eu, como chefe de Estado brasileiro, e o Chávez, como chefe de Estado venezuelano, somos amigos, não faltará oportunidade para uma prosa." Parceria estratégica Lula participou nesta quarta-feira, na capital portuguesa, de uma reunião de cúpula com a União Européia para selar a entrada do Brasil no grupo seleto de países considerados "parceiros estratégicos" pelo bloco. Atualmente, somente Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Índia e Japão recebiam da UE esse tratamento. O encontro também teve a participação do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do primeiro-ministro português, José Sócrates, atualmente na presidência da União Européia. No final do 1º Encontro Empresarial União Européia-Mercosul, Lula disse que não é possível substituir as negociações multilaterais para a liberalização do comércio mundial por acordos bilaterais. “Não há substituto para um sistema multilateral de comércio forte, baseado em regras estáveis e equitativas. O acordo de associação União Européia-Mercosul será uma importante complemento à OMC (Organização Mundial do Comércio)”, afirmou o presidente. "A propósito da Rodada de Doha (de liberalização do comércio mundial, negociada no âmbito da OMC), saí desta cúpula com uma mensagem bem clara e positiva de que nem a União Européia nem o Brasil desistem de tentar alcançar o sucesso nas negociações”, disse o primeiro-ministro português. “O objetivo é alcançar um equilíbrio entre uma maior liberdade econômica em que todo mundo se beneficie com isso, com a procura de um maior espaço de afirmação dos países em desenvolvimento”, disse Sócrates. Durante os últimos dias, houve um bate-boca entre os dois lados. Na segunda-feira, Lula afirmou que a União Européia "falava, falava, falava e não mostrava suas cartas". Na terça-feira, o principal negociador da União Européia, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, afirmou que era o momento de "negociar seriamente e não de retórica". Nesta quarta-feira, durante o dia, Mandelson disse à imprensa brasileira que quem tinha relatado o encontro (entre Brasil, Índia, União Européia e Estados Unidos, realizado em Potsdam, na Alemanha, no último dia 21) a Lula o teria feito "de cabeça para baixo". Nesta quinta-feira, Lula deverá participar de um seminário sobre biocombustíveis organizado pela União Européia em Bruxelas, na Bélgica. |
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