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Para reviver Doha, EUA buscam alternativas a Brasil e Índia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, disse em entrevista à BBC Brasil que se sentiu ''muito decepcionada com o Brasil e a Índia''. E, por isso, julga necessarário ''envolver outros países em desenvolvimento que tenham visões diferentes das do Brasil e da Índia'' para manter viva a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial. A decepção da representante comercial americana se deu após o Brasil e a Índia terem se retirado, no último dia 21, das negociações em Potsdam, na Alemanha, com o chamado G4, o grupo formado também pelos Estados Unidos e a União Européia. O encontro tinha como meta discutir temas que vêm travando a Rodada de Doha, como subsídios agrícolas e tarifas de importação industriais e agrícolas. O chanceler Celso Amorim afirmou que a retirada se deu devido ao fato de que as propostas de abertura dos mercados agrícolas europeus e americanos foram consideradas insuficientes. Europeus e americanos, por sua vez, alegaram que o Brasil e a Índia não se mostraram dispostos a oferecer reduções significativas em relação às suas tarifas de importação de bens industriais. Na reunião, Brasil e Índia agiam como representantes dos interesses dos países em desenvolvimento. "Grau de ambição" De acordo com Schwab, ''daqui para a frente é necessário envolver países que tenham um grau de ambição elevado em relação ao que eles querem da Rodada, em especial no que diz respeito a acesso a mercados''. É bem possível que os americanos encontrem novos interlocutores, uma vez que já começaram a surgir cisões entre o grupo de países em desenvolvimento, que podem, inclusive, minar a liderança do Brasil. Uma facção formada por México, Hong Kong, Tailândia, Peru, Colômbia, Chile, Costa Rica e Cingapura propôs recentemente à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma taxa de cortes de tarifas de importação na faixa de 55%, que seria um meio termo à proposta defendida por americanos, que fala em 60%, e a do Brasil, que criticou o projeto alernativo. O Brasil defende um corte de até 50%. Uma cifra acima desse valor, afirma, prejudicaria os produtos do Mercosul. Schwab identifica por parte de brasileiros e indianos pouca disposição em fazer concessões. ''O G4 parecia promissor. E Brasil e Índia haviam expressado vontade e aptidão em liderar países em desenvolvimento, mas se mostraram relutantes em ceder e em exercer a responsabilidade que se espera de nações em desenvolvimento mais avançadas''. Acordo de bastidores O ministro Celso Amorim afirmou que Estados Unidos e União Européia chegaram a Potsdam com um acordo agrícola à parte e não se mostraram dispostos a ceder em relação aos termos que estabeleceram previamente em um suposto acordo a portas fechadas. Schwab refuta essa visão. ''Penso que foi bem o contrário. Teria sido um alívio se os Estados Unidos alcançassem uma convergência no setor agrícola com os europeus. Fico feliz em dizer que nos aproximamos, mas não seria possível firmarmos um acordo sem a participação de países em desenvolvimento e de nações desenvolvidas, como o Japão, por exemplo.'' ''Cheguei a Potsdam bem otimista, mas nossos colegas brasileiros e indianos não demonstraram engajamento, não pareciam estar levando o processo a sério. E apresentaram propostas e metas que não eram realistas'', acrescenta Schwab. Como já afirmou em outras ocasiões, Schwab diz que todos os países têm de ceder. ''Os Estados Unidos já deixaram claro que estão preparados para fazer a sua parte em termos de abrir mercados agrícolas e de produtos e em reduzir dramaticamente subsídios agrícolas distorcivos. Mas o compromisso de um só país não garante o sucesso desta rodada.'' Ela afirma que é preciso também ações por parte da União Européia e do Japão, mas acrescenta: ''Os países desenvolvidos têm de fazer a maior parte, mas as nações em desenvolvimento, as potências comerciais emergentes, também precisam agir''. "Caráter íntimo" As divergências, comenta a representante comercial americana, não impedem que ela continue a ''gostar do ministro Amorim e admirá-lo e tê-lo como um amigo". "Quando o diálogo foi suspenso, há uma semana, nós fomos a Genebra, onde eu conversei com ele e disse: 'Não sei ao certo o que aconteceu na semana que passou, mas espero que possamos continuar negociando''', diz ela. As negociações futuras, no entanto, devem agora envolver um número maior de países e perder um pouco do ''caráter íntimo'' que vem marcando o diálogo do G4. ''Os passos seguintes deverão ser marcados por um processo multilateral, a partir de Genebra, na OMC, onde iremos negociar a formulação de textos relativos a agricultra e produtos industriais, que deverão ser apresentados nas próximas semanas e que, espero, servirão de base para negociações.'' Em uma coisa, Schwab e o ministro Celso Amorim dizem concordar: a crença de que a Rodada de Doha ainda não morreu. ''Ela não irá morrer enquanto houver países comprometidos em obter um resultado positivo. Mas já passamos da cota de atrasos nessa negociação.'' |
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