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Atualizado às: 25 de junho, 2007 - 22h42 GMT (19h42 Brasília)
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Proposta 'não tem legitimidade', diz Itamaraty

Sede da OMC
Grupo propôs corte maior em tarifas de importação de manufaturados
O chefe do Departamento Econômico do Itamaraty, ministro Roberto Azevedo, disse nesta segunda-feira que a proposta feita à Organização Mundial do Comércio (OMC) por um grupo de países em desenvolvimento, de oferecer um corte maior nas tarifas de importação de bens manufaturados, "não tem nenhuma legitimidade".

Azevedo afirmou que o grupo que fez a proposta (México, Hong Kong, Tailândia, Peru, Colômbia, Chile, Costa Rica e Cingapura) já pratica tarifas de importação muito abaixo do que foi proposto.

"Por essa proposta, quem paga a conta são os outros", disse Azevedo.

A proposta apresentada por esse grupo de países diz respeito a produtos industrializados. Pela oferta, o coeficiente de cortes poderia variar entre 17 e 23, o que significaria um corte de cerca de 55% em termos de redução de tarifas.

Nas negociações para tentar destravar a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, o governo brasileiro insiste que aceitaria um coeficiente de corte de no máximo 30, o que, na prática, permitiria um corte de até 50% em suas tarifas de importação.

Já os Estados Unidos e a Comissão Européia queriam uma redução das tarifas de pelo menos 58%, o que acabaria afetando setores considerados sensíveis no Mercosul.

"(A proposta) não é surpresa nem para o Brasil nem para ninguém. A posição desses países já era conhecida", disse Azevedo.

Mas, segundo o ministro, esse grupo não forma um universo representativo dos países que vão aplicar a proposta - que terá de ser avaliada pelos 150 membros da OMC.

"Se essa visão deles fosse minimamente representativa, esses países estariam no núcleo central dos debates", disse Azevedo.

De acordo com o Itamaraty, a oferta feita pelo grupo de países na área de produtos industrializados não é um racha no G20 e não influi na posição do bloco, porque o grupo (integrado por 23 países que são grandes exportadores agrícolas) cuida apenas dos assuntos ligados à área agrícola.

Brasil e Índia participaram de uma reunião do G4 em Potsdam, na Alemanha, na semana passada, como representantes dos países em desenvolvimento. Os outros participantes do encontro eram Estados Unidos e União Européia.

O encontro foi encerrado antes da hora com o abandono de Brasil e Índia das negociações, afirmando que as ofertas dos países desenvolvidos eram insuficientes.

Mas no sábado, em Genebra, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já foi procurado por negociadores americanos e europeus para retomar as conversas.

As negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio estão oficialmente paralisadas desde julho do ano passado, após o fracasso da última reunião ministerial.

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