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Tensão entre EUA e Rússia deve dominar agenda do G8 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Num sinal não muito animador às pretensões brasileiras, a agenda reunião de cúpula do G8, que começa nesta quarta-feira, no balneário de Heiligendamm, na Alemanha, ameaça ser tomada pelas discussões geradas pela crescente tensão entre Estados Unidos e Rússia. Como anfitriã, a Alemanha havia estabelecido as discussões sobre o combate ao aquecimento global como uma das prioridades da cúpula, que reúne a Rússia e os sete países mais industrializados do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Japão). O Brasil, que participa ao lado de outros países em desenvolvimento convidados do último dia da cúpula, na sexta-feira, pretendia aproveitar a ênfase na questão ambiental para mais uma vez propagandear a tecnologia brasileira de biocombustíveis. O uso de fontes de energia renováveis, como o etanol e o biodiesel, é visto como uma das formas de reduzir as emissões dos gases poluentes que provocam o efeito estufa. Tensão Mas as discussões ambientais podem ficar em segundo plano por conta das disputas verbais entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre o plano americano de estabelecer bases de seu sistema antimísseis na Polônia e na República Tcheca. Os Estados Unidos alegam que seu sistema antimísseis tem como objetivo conter ataques de países hostis como o Irã e a Coréia do Norte, mas Putin afirma que as novas bases ameaçariam a segurança de seu país e que elas poderiam ser alvo de ataques russos. Em uma curta visita à República Tcheca antes de seguir para a Alemanha, na terça-feira, Bush afirmou que “a Guerra Fria terminou” e que a Rússia não tem nada a temer sobre os planos americanos, mas admitiu que os dois países têm “grandes diferenças” e criticou o governo da Rússia por "sair dos trilhos" nas promessas de reformas democráticas. Caberá à chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, estabelecer a pauta de discussões durante a cúpula e tentar manter a questão do clima no topo da agenda, mas ela não terá como evitar que as disputas entre Bush e Putin dominem as negociações paralelas ao programa oficial da cúpula. Proposta voluntarista Mas mesmo a questão ambiental não deixa de levantar polêmica. Os Estados Unidos, país responsável pela maior parcela de emissões de gases poluentes do mundo, rejeitou as propostas preliminares da Alemanha para o estabelecimento de metas obrigatórias para a redução das emissões. Bush defende que o tema seja tratado em discussões paralelas e que os países adotem metas voluntárias de redução das emissões. Os principais apoiadores do estabelecimento de metas obrigatórias, Grã-Bretanha e Alemanha, ainda acreditam que podem convencer os Estados Unidos a apoiarem a proposta inicial. No fim de semana, o presidente Lula criticou as propostas alternativas de Bush, às quais classificou de “muito voluntarista” e disse que qualquer discussão sobre o tema deve ser feita sob o comando da ONU e tomando como base o Tratado de Kyoto, do qual os Estados Unidos não são signatários. Lula chegou a Berlim, capital da Alemanha, na terça-feira e deverá viajar a Heligendamm somente na sexta-feira de manhã. Na quinta-feira, ele participa com os demais países em desenvolvimento convidados – África do Sul, China, Índia e México – de reuniões em Berlim para o estabelecimento de propostas comuns a serem levadas ao G8 no dia seguinte. A chegada de Lula à Alemanha, prevista inicialmente para a tarde de quinta-feira, foi antecipada em dois dias por conta do cancelamento de sua visita ao Marrocos, para onde seguiria após passar pela Índia. Com isso, a diplomacia brasileira teve que correr para agendar compromissos para o presidente nesta quarta-feira. Após uma manhã sem nenhum evento previsto na agenda, Lula deve se reunir na tarde desta quarta-feira com executivos de empresas alemãs e personalidades políticas locais. Esses encontros não têm relação direta com a participação brasileira na cúpula do G8. |
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