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Para Mantega, Zoellick 'tem mais condições' que Wolfowitz | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira que Robert Zoellick, indicado pelo presidente americano, George W. Bush, para a presidência do Banco Mundial, “tem mais condições do que o atual ocupante do cargo". O ex-secretário de Comércio dos Estados Unidos deve substituir Paul Wolfowitz, que está deixando o posto depois de um processo de desgaste público provocado por acusações de que usou sua posição e influência para favorecer a namorada. “O secretário do Tesouro americano me ligou ontem perguntando o que eu achava desta sugestão. Eu acho que foi boa, que ele tem mais condições do que o atual ocupante do cargo. Ele tem uma experiência internacional bastante boa, teve um bom desempenho na Secretaria de Comércio (USTR) e tem tido uma atitude pró-ativa na questão da liberalização do comércio mundial”, afirmou o ministro. Tradicionalmente, o presidente do Banco Mundial é escolhido pelos Estados Unidos; e o diretor-geral do FMI pelos países europeus. Mas o governo brasileiro tem criticado esse processo, possível porque estas instituições funcionam com cotas, e os maiores acionistas têm maior peso na votação. Processo de escolha No sábado, o Ministério divulgou uma nota de apoio à posição do G20 financeiro (grupo que reúne os ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais das economias avançadas e dos principais países emergentes) e que defende que os líderes destas instituições sejam escolhidos em processos abertos e transparentes, sem restrição em função da nacionalidade. “Este processo de escolha das instituições internacionais está um pouco defasado. Temos que evoluir, mas não deu tempo ainda de fazer esta discussão, fazer com que ela amadureça e possa espelhar a nova realidade do mundo, onde outros países possuem um poder econômico maior”, afirmou. Por conta de suas participação em negociações comerciais, Zoellick é um antigo conhecido de alguns membros do governo brasileiro, especialmente o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Mas o governo Lula começou com um bate-boca público entre Zoellick, na época subsecretário de Estado, e o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Em outubro de 2002, Zoellick escreveu num artigo do jornal The Miami Herald, que “ou o Brasil aceita a Alca ou terá de comerciar com a Antártida”. Lula disse que não iria responder “ao sub do sub do sub do secretário americano” e cunhou a maneira jocosa com que o Zoellick ficou conhecido no Brasil. Mantega disse nesta quarta-feira que “houve alguma divergência” no início do governo, mas que ela logo foi superada. “Em seguida, à testa da Secretaria de Comércio, ele teve um comportamento positivo, proativo, satisfatório para o Brasil. Então eu diria que o saldo é positivo.” O Banco Mundial tem atualmente 53 projetos em atividade no Brasil, com um volume de empréstimos de US$ 4,7 bilhões. Desde o início da operação no Brasil, em 1949, o Banco já financiou mais de 300 projetos, num montante de US$ 37,6 bilhões. Atuação A instituição financia projetos relacionados à redução da pobreza e desenvolvimento econômico e social, com enfoque especialmente no Nordeste, nas áreas de educação, saúde, infra-estrutura, água, meio ambiente, pobreza rural e proteção social. Na avaliação da ONG Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, que reúne organizações da sociedade civil e monitora as atitividades das instituições deste tipo, a troca de comando não muda nada no Banco. “O problema do Banco Mundial não é o presidente atual, mas o modelo da instituição, que prega a redução do Estado, as políticas sociais assistencialistas e não estruturantes”, afirmou a secretária-executiva da ONG, Fabrina Furtado. Do ponto de vista financeiro, ela diz que o Banco Mundial é pouco importante para o Brasil, já que o volume de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) é mais de dez vezes maior. “O que é preciso é mudar o paradigma, discutir para que serve o Banco Mundial e se ele pode ser reformado ou se precisamos construir uma alternativa”, afirmou. |
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