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Atualizado às: 25 de abril, 2007 - 18h16 GMT (15h16 Brasília)
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Brasil é '2º mais atraente' para infra-estrutura na América Latina

Navio no Canal do Panamá
Fórum avaliou países mais atraentes para investimentos
O Brasil é o segundo país mais atraente para investimentos em infra-estrutura na América Latina, afirma um relatório divulgado nesta quarta-feira, na reunião latino-americana do Fórum Econômico Mundial em Santiago, no Chile.

No ranking de 12 países preparado pelo Fórum, o Brasil só fica atrás do Chile, classificado em uma categoria à parte na região pelo ambiente "extremamente favorável" a investimentos privados.

Segundo o relatório, o Brasil apresenta um Índice de Atratividade para Investimentos Privados em Infra-Estrutura (Ipiai, na sigla em inglês) de 4,4, enquanto o país andino lidera com 5,43 pontos.

A última colocada é a República Dominicana (3,33), que não ficou muito atrás da Bolívia (3,34) e da Venezuela (3,37).

Baseado na análise de estatísticas e nas percepções de investidores, o Ipiai foi desenvolvido em resposta a um diagnóstico feito na última reunião latino-americana do Fórum, em São Paulo, no ano passado, de que a carência de infra-estrutura em transporte e comunicações era um dos principais entraves ao desenvolvimento da região.

'Posição medíocre'

Ranking da Infra-estrutura
1. Chile – 5,43*
2. Brasil – 4,40
3. Colômbia – 4,33
4. Peru – 4,23
5. México – 4,04
6. Uruguai – 4,02
7. El Salvador – 3,97
8. Guatemala – 3,64
9. Argentina – 3,41
10. Venezuela – 3,37
11. Bolívia – 3,34
12. Rep. Dominicana – 3,33
* Índice de Atratividade para Investimentos em Infra-estrutura. Fonte: Fórum Econômico Mundial

Os autores do estudo dizem ter se guiado por oito pilares: ambiente macroeconômico, estrutura legal, risco político, facilidade de acesso à informação, sofisticação e desenvolvimento de mercados financeiros, histórico do país em investimentos em infra-estrutura nos últimos 15 anos, relações entre governo e sociedade e disposição do governo em facilitar investimentos no setor.

Para o Brasil, o principal freio para atrair investimentos em infra-estrutura estaria na qualidade da estrutura legal, especialmente "preocupante", segundo o Fórum.

"Sua posição medíocre no nono lugar (no quesito) se deve principalmente a ineficiências na estrutura regulatória e a uma ética pública muito precária", afirma o relatório.

O país aparece em penúltimo lugar nos quesitos que aferem o peso da regulamentação governamental e desvios de recursos públicos, usados para avaliar a qualidade da estrutura legal.

Judiciário

Na independência do Judiciário, o país fica em oitavo, o que, segundo o Fórum, oferece uma explicação de por que, "apesar dos seus esforços para promover investimentos privados (o Brasil está em sexto lugar nesse ponto), demora tanto para tirar projetos do papel".

Ainda assim, o relatório destaca que o desempenho brasileiro é melhor do que a média regional em seis dos oito pilares que compõem o índice.

 Já foi estimado que uma melhora na infra-estrutura da América Latina (...) criaria um crescimento no PIB per capita da ordem de 1,1% a 4,8% e poderia reduzir a desigualdade em 10% a 20%
Relatório do Fórum Econômico Mundial

Entre os destaques positivos, estão o baixo risco político, o "notável" histórico de investimentos privados entre 1994 e 2005 e a facilidade de acesso à informação.

Nesse quesito, o Brasil lidera nos três indicadores (qualidade das estatísticas, transparência e abertura do processo decisório e consistência nos processos de privatização).

"O único ponto negro nesse, com exceção disso, notável desempenho é uma baixa nota de 3,37 (de 0 a 7) e a nona posição no ranking pela qualidade das informações envolvendo mudanças de políticas públicas."

Segundo o relatório, a retomada dos investimentos em infra-estrutura praticamente abandonados pelos governos da região depois da crise da dívida na década de 80 é fundamental para promover o desenvolvimento da região.

Crescimento acelerado

Os autores citam um estudo de acordo com o qual o uso eficiente da infra-estrutura pode responder por 40% da diferença de crescimento entre países pobres e ricos.

"Já foi estimado que uma melhora na infra-estrutura da América Latina ao nível da Coréia do Sul criaria um crescimento no PIB per capita da ordem de 1,1% a 4,8% e poderia reduzir a desigualdade em 10% a 20%", diz o relatório.

Dadas as limitações impostas aos gastos públicos, porém, os governos precisam recorrer a mecanismos cada vez mais eficientes de parceria com a iniciativa privada, defendem os autores do estudo, que destacam o Brasil como um dos principais beneficiários das chamadas PPPs (parcerias público-privadas).

Os economistas do Fórum colocam o Brasil na mesma categoria (cluster) de Peru e Colômbia pelo fato de, segundo eles, os três países apresentarem bom desempenho na maioria dos pilares, mas enfrentarem dificuldades para aumentar o fluxo de projetos de infra-estrutura.

Numa segunda categoria, estão México e El Salvador, e a terceira agrupa Guatemala, Uruguai e República Dominicana.

A quarta e última é reservada a Argentina, Bolívia e Venezuela, onde as condições gerais para investidores são classificadas como ruins e o uso de investimentos privados na oferta de bens públicos é praticamente "inexistente", diz o relatório.

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