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Atualizado às: 05 de abril, 2007 - 00h13 GMT (21h13 Brasília)
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Lula promete investimento brasileiro no Equador

Rafael Correa e Luiz Inácio Lula da Silva
Rafael Correa foi recebido pelo presidente Lula em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ao presidente equatoriano Rafael Correa, em visita ao Brasil nesta quarta-feira, investimento brasileiro em dois projetos prioritários para o governo do Equador: a ligação Manta-Manaus e a exploração de um novo campo de petróleo, em associação com a estatal equatoriana e empresas da China e do Chile.

Na ligação entre o porto de Manta, no Equador, e Manaus, o investimento brasileiro é estimado em cerca de US$ 400 milhões, de acordo com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Trata-se de um projeto de terminal intermodal que inclui o aeroporto de Manta, onde hoje fica uma base americana, e um porto de águas profundas, um projeto com valor total estimado em US$ 1,5 bilhão.

“O Brasil deseja ser sócio desta obra que integrará as regiões amazônica e andina e tornará realidade a ligação do Oceano Pacífico ao Atlântico”, afirmou o presidente Lula no discurso, após o encontro dos dois presidentes.

Um grupo de trabalho criado pelos dois países deve se reunir em duas semanas para detalhar o projeto técnico e o financiamento, que pode ser via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A obra, que consiste basicamente em ampliar as rodovias que ligam as duas cidades, deve ser executada por construtoras brasileiras, segundo Garcia.

“Não é bom somente para o Equador e o Brasil, mas para toda a América do Sul”, disse o presidente equatoriano numa entrevista à imprensa, depois do encontro com Lula. “É o porto mais próximo da região da Ásia que mais cresce, especialmente a China”, afirmou.

Petróleo

A participação da Petrobras na exploração do bloco petrolífero ITT, na amazônia equatoriana, ainda não está definida, segundo Correa. Na cerimônia, a estatal brasileira assinou um acordo para atuação conjunta com a Petroecuador, a estatal chilena Enap e a subsidiária da estatal chinesa Sinopec.

“Nossa opção preferencial é a Petroecuador (atuando sozinha), mas tudo dependerá da oferta da Petrobras e das outras empresas”, afirmou Correa.

O maior problema para a exploração de ITT é a dificuldade de licenciamento ambiental. “Nós aceitamos deixar a reserva inexplorada, desde que a comunidade internacional, tão preocupada com essas coisas, nos dê uma compensação”, afirmou Correa.

“A pobreza é o maior perigo para o meio ambiente”, disse mais tarde aos jornalistas.

Elogios

Na cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula elogiou o colega equatoriano, que tomou posse em janeiro com um programa de maior investimento social e dúvidas sobre o pagamento da dívida pública.

“Nos próximos anos tenho certeza de que podemos fazer muito pelos nossos países”, afirmou Lula, lembrando que esteve na posse em Quito e que já tinha recebido a visita de Correa quando ainda era presidente eleito.

“Penso que você pode fazer pelo Equador o que os outros não fizeram”, disse Lula.

Os dois sós discordaram sobre o Banco do Sul, proposta defendida por alguns presidentes sul-americanos, como o venezuelano Hugo Chávez.

Lula não citou o assunto em seu discurso, mas Correa defendeu a importância da sua criação, como uma alternativa regional ao Fundo Monetário Internacional. O presidente equatoriano defende que os países da região juntem suas reservas para usá-las quando tiverem problemas de fluxo de caixa e para melhorar o perfil de sua dívida externa.

Marco Aurélio Garcia disse que o Brasil considera a idéia de um banco regional boa, mas que os projetos que foram apresentados até agora “não têm consistência técnica” e que o assunto deve continuar a ser discutido.

“Mais do que um banco, o Brasil defende a criação de um sistema financeiro regional, para que os países possam fazer seu comércio externo nas moedas locais”, disse ele. Brasil e Argentina já começaram a usar este sistema.

Ministros brasileiros e equatorianos também assinaram 15 projetos de cooperação, em áreas como saúde, defesa, turismo, erradicação do trabalho infantil e saúde dos povos indígenas.

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