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Temos de respeitar comércio exterior, diz Marcos Jank | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma política de comércio exterior que acabe com a prioridade dada à substituição de importações é o principal caminho para que a indústria e a economia brasileiras acelerem o seu crescimento, diz o presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank. Para o especialista em comércio exterior, conseguir bons acordos internacionais não resolve o problema do crescimento econômico brasileiro, considerado pequeno pelos exportadores. Marcos Jank falou à BBC Brasil como parte da série Brasil 2010, em que personalidades de diversas áreas elegem um aspecto que gostariam de ver diferente no país que será entregue pelo presidente que vencer as próximas eleições. Confira abaixo a entrevista: BBC Brasil - O que o senhor gostaria de ver diferente no seu setor no Brasil em 2010? Marcos Jank - Eu gostaria de ver um país que respeitasse mais o comércio exterior. Nosso maior problema essencial é doméstico. Tem a ver com o desequilíbrio da taxa de câmbio, a precariedade da infra-estrutura de exportação, uma confusão jurídica enorme nessa área e ainda uma mentalidade de substituição de importações que é completamente anacrônica no mundo moderno. BBC Brasil - O senhor acredita numa mudança da geografia mundial de produção e exportação em 2010? Jank - Acho que existe uma nova geografia no mundo hoje dada pela crescente participação do leste da Ásia, que ocupa espaços com enorme eficiência. Aquela região conseguiu crescer porque promoveu exportações em vez de substituir importações. Nós aqui ainda temos uma indústria basicamente local, enquanto eles têm uma produção mundial profundamente integrada entre aqueles países e com grande presença no mundo desenvolvido. Eu vejo como principal saída para o Brasil primeiro fazer acordos no Hemisfério Ocidental, ou seja, nas três Américas, que são as regiões mais nobres para as nossas exportações. Somos apenas “global traders” (exportadores mundiais) em commodities e apenas “regional traders” (exportadores regionais) em produtos mais elaborados. O equilíbrio pode ser atingido se atacarmos os gargalos, principalmente na área cambial e da infra-estrutura. BBC Brasil - O senhor vê algum setor brasileiro perdendo espaço no comércio exterior até 2010, e algum setor melhorando até lá? Jank - Eu acho que se o Brasil não fizer reformas importantes, todos os setores intensivos em trabalho vão sofrer uma concorrência crescente do leste da Ásia. É só ver o que já está acontecendo com os setores de têxteis e calçados. Eles tendem a sofrer muito essa concorrência de países que trabalham com custo de capital muito mais baixo, câmbio no lugar certo e custo de mão-de-obra também muito inferior. Esses são os mais problemáticos. Por outro lado, a emergência do leste da Ásia e quantidade enorme de pessoas que estão deixando a linha da pobreza e virando consumidores é uma grande oportunidade para os bens intensivos em recursos naturais, principalmente na mineração e no agronegócio. Acho que nossa pauta vai se especializar nessas áreas, e perder ênfase nos setores intensivos de trabalho. Mas tudo isso pode ser corrigido se o Brasil enfrentar seus problemas domésticos e parar de ficar dando “tiro no próprio pé”. Nosso principal problema está aqui dentro, não lá fora. |
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