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Prioridade deve ser crescer, diz diretor do Banco Mundial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor do Banco Mundial no Brasil, John Briscoe, engrossa o coro dos que pedem um crescimento maior para a economia brasileira. "Se o país não consegue crescer com todos esses fatores positivos, o que vai fazer quando a situação externa se tornar mais negativa?", questiona Briscoe, para quem a melhora do desempenho econômico passa pelo melhor uso do dinheiro público. O diretor do Bird no Brasil falou à BBC Brasil como parte da série Brasil 2010, em que personalidades de diversas áreas elegem um aspecto que gostariam de ver diferente no país que será entregue pelo presidente que vencer as próximas eleições. Leia a seguir alguns trechos da entrevista: BBC Brasil - O que o senhor espera que esteja diferente no Brasil em 2010? John Briscoe - Um país com um crescimento bem maior, uma distribuição de renda mais igual, em que as pessoas pobres se beneficiem de um aumento na produção e no PIB (Produto Interno Bruto). BBC Brasil - E o que impede um crescimento maior? Briscoe - Muitas coisas ligadas com o desempenho do setor público, o nível de impostos e a qualidade com que o dinheiro que está disponível é aproveitado no Brasil. Isso é o problema fundamental. BBC Brasil - Qual o senhor considera ser o pior de todos os problemas ligados à gestão pública? Briscoe - Precisa de uma série de medidas, uma modernização bastante geral para que todo esse dinheiro arrecadado seja melhor aproveitado. O ex-vice ministro da Fazenda Murilo Portugal disse de forma muito adequada que os brasileiros pagam pelo serviço de hotel de cinco estrelas, ou seja um nível de impostos da Europa, mas têm de fato o serviço de um hotel de três estrelas. Vocês estão gastando muito dinheiro, tem que ser assegurado um melhor rendimento. BBC Brasil - Qual é o risco de não fazer essa modernização? Briscoe - Acho que o risco está muito patente. Você tem este nível de crescimento, 3%, numa situação internacional que nunca esteve tão positiva como hoje. A China está crescendo 10%, a Índia, 8%. O Brasil depende muito do preço das commodities, que está muito alto. O Brasil tem tudo a seu favor. Quando a situação externa se tornar menos favorável e isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde... se o país não consegue crescer com todos esses fatores positivo, o que vai fazer quando a situação externa se tornar mais negativa? BBC Brasil - Alguns especialistas dizem que existe um forte risco de o Brasil passar por uma nova crise energética até 2010. O Banco Mundial tem vários projetos na área energia no Brasil. Qual é a avaliação que o senhor faz dessa questão? Briscoe - Pode ter uma discordância se (a crise) vai ser em 2010 ou 2011, mas a situação é muito clara: a capacidade de geração está aumentando muito pouco, com muitas dificuldades, e se a economia começar a crescer um pouco mais rápido, esse dia vai chegar muito mais rápido. A salvação, entre aspas, tem sido o baixo nível de crescimento econômico. Uma vez que a economia cresça, o problema de energia vai ser seríssimo. Precisa de planejamento, precisa que você se antecipe à curva. |
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