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Amorim descarta enviar tropas brasileiras a Darfur | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que o Brasil “não está contemplando participar com tropas” das operações de paz da ONU em Darfur, no Sudão. “Temos nossas mãos cheias”, disse Amorim, referindo-se às tropas brasileiras no Haiti, onde o país é líder das forças de paz da ONU. O Brasil tem no Haiti 1,2 mil da força total de 7 mil homens, a maioria de países latino-americanos. De acordo com o Itamaraty, o Brasil está preocupado com o conflito no Sudão, mas prioriza a atuação no Haiti por causa da proximidade regional e da limitação de recursos. “Poderemos dar outro tipo de contribuição, no momento adequado, mas não estamos contemplando enviar tropas ao Sudão”, afirmou o ministro. Missão híbrida O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, quer formar uma força de três mil homens para enviar a Darfur, região no oeste do Sudão onde milícias árabes pró-governo são acusadas de genocídio contra a população. Ban Ki-moon disse que vai montar uma missão híbrida, com soldados africanos e de outras regiões. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o secretário gostaria de ter a presença brasileira nesta força. Segundo o Itamaraty, o Brasil nunca recebeu um pedido específico para integrar a missão. Só recebeu um pedido genérico de contribuição, como os outros membros da Assembléia Geral. O Brasil já participa, segundo o Itamaraty, da missão atual da ONU no Sudão, com três policiais e 24 observadores militares. O governo brasileiro vai também mandar dois militares especializados em treinamento para uma missão da ONU na Somália, aprovada em fevereiro. Crítica Em dezembro do ano passado, o Brasil foi criticado pela ONG Human Rights Watch por se abster na votação de uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU exigindo que o governo do Sudão investigue pessoas denunciadas por abusos e mortes em Darfur. A resolução foi rejeitada, por 22 votos contra 20. O Brasil e outros três países se abstiveram. O diretor-executivo da divisão das Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, disse na época que a recusa do Brasil em apoiar uma resposta mais forte da ONU ao que acontece em Darfur "foi um ato de insensibilidade e indiferença”. A resolução que acabou sendo aprovada em substituição manifesta a preocupação da ONU com a questão, mas elogia a cooperação do governo do Sudão com o enviado especial da organização ao país. Neste caso, o Brasil foi um dos 25 países que votaram a favor da resolução. O Itamaraty se defendeu dizendo que votou daquela maneira numa tentativa de aproximar as posições e engajar o governo sudanês na melhoria da situação. |
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