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Atualizado às: 12 de março, 2007 - 16h18 GMT (13h18 Brasília)
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ONU condena reação 'ineficaz' a crimes no Sudão
Campo de refugiados em Niala
Mais de dois milhões de pessoas foram forçadas a abandonarem suas casas
Investigadores da ONU divulgaram um relatório em que criticam com firmeza a comunidade internacional e o governo do Sudão por contínuas violações dos direitos humanos na região de Darfur.

O relatório acusa a comunidade internacional de reagir de maneira "inadequada e ineficaz" diante de casos de estupro, tortura e outros abusos.

Os investigadores da ONU também acusam o governo do Sudão de "orquestrar e participar" dos crimes na região de Darfur.

A chefe da equipe de investigadores, Jody Williams, afirma ainda que, apesar dos apelos para que a comunidade internacional interferisse com urgência, a resposta até agora foi "patética".

A missão da ONU divulgou seu relatório no Conselho de Direitos Humanos da organização, que está se reunindo em Genebra.

O conflito no país deverá ser o principal assunto na sessão de três semanas do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Pelo menos 200 mil pessoas teriam morrido no conflito de quatro anos em Darfur e milhões tiveram que abandonar suas casas.

Proibição

A equipe da ONU foi proibida pelo governo sudanês em Cartum de fazer uma visita a Darfur, mas conseguiu conversar com refugiados e pessoas que trabalham em agências humanitárias na região.

Os cinco integrantes da equipe viajaram ao país vizinho Chade. Muitos refugiados fugiram para o país e a própria guerra está se espalhando para o vizinho do Sudão.

No Chade, os investigadores ouviram relatos que dão apoio a acusações já estabelecidas de abusos em Darfur.

"Existem violações brutais dos direitos humanos e da lei humanitária internacional. O governo é cúmplice de crimes com a milícia Janjaweed que arma e treina", disse a chefe da missão, vencedora do prêmio Nobel da Paz.

A milícia árabe conhecida como Janjaweed foi acusada de atacar moradores de vilarejos de Darfur, matando seus habitantes e forçando a fuga de outros, enquanto o governo fornecia apoio aéreo.

O governo nega as alegações e acusa países ocidentais de exagerarem os problemas em Darfur.

O embaixador sudanês na ONU, Ibrahim Margani Ibrahim Mohammed Kheir, disse à BBC que o Sudão está cooperando com a organização e que a situação em Darfur está melhorando.

Atrocidades

O relatório é o último em uma série elaborada pela ONU e outras organizações internacionais para documentar ataques em larga escala contra civis e para exigir uma resposta internacional.

Williams afirma que as atrocidades detalhadas no relatório não são novas, mas os investigadores estão trabalhando no documento de uma forma que seja possível exigir ação.

De acordo com Williams, o relatório também defende que, se um Estado não está conseguindo proteger seus próprios cidadãos, "então a comunidade internacional precisa assumir suas responsabilidades".

"Existem tantas ameaças vazias contra Cartum que, se eu fosse o governo sudanês, também não prestaria nenhuma atenção. É mais do que uma tragédia. Foi depois de Ruanda que as pessoas disseram 'nunca mais', e aqui estamos novamente... e o mundo assiste", disse.

Mulher refugiada em DarfurCrise em Darfur
Entenda o que acontece na região do Sudão.
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