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EUA advertem Sudão sobre força de paz em Darfur | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos advertiram o Sudão de que se o país não aceitar a presença de uma força internacional de paz das Nações Unidas para Darfur, o governo americano terá que considerar outras opções para lidar com a crise na região. O Departamento de Estado dos Estados Unidos não deu detalhes sobre as possíveis ações que poderiam ser tomadas, mas a Grã-Bretanha sugeriu uma zona de exclusão aérea promovida pela ONU para evitar ataques aéreos sobre a população civil de Darfur. Segundo um correspondente da BBC em Washington, as possíveis opções estudadas pelos Estados Unidos poderiam incluir um bloqueio naval ou ataques aéreos contra alvos específicos no Sudão, mas tais medidas precisariam ser aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Diversos países ocidentais – entre eles os Estados Unidos – acusam o governo do Sudão de colaborar com milícias muçulmanas, que entraram em conflito com rebeldes da região de Darfur e com civis que apoiariam esses rebeldes. O governo do Sudão nega as acusações e tem resistido à sugestão de envio de tropas da ONU para mediar o conflito. Atualmente, tropas da União Africana estão na região. Desde 2003, quando começou o conflito em Darfur, mais de dois milhões de pessoas já tiveram de abandonar suas casas. Estima-se que 200 mil morreram. Missão Na quarta-feira, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu, em Genebra, enviar uma missão para a região de Darfur para verificar as alegações de que está aumentando a violência contra civis no país. A proposta não precisou ser votada, pois foi aprovada por consenso pelos 47 países membros do Conselho, inclusive o Brasil. Os cinco enviados especiais da ONU para Darfur serão indicados pelo presidente do Conselho, o embaixador mexicano Luis Alfonso de Alba. A equipe será acompanhada pela investigadora especial da ONU sobre o Sudão, Sima Samar. No começo do mês, o órgão da ONU havia aprovado uma resolução manifestando preocupação com a situação em Darfur. O Brasil chegou a ser alvo de críticas de organizações não-governamentais por se abster na votação de um texto mais duro contra o governo do Sudão. Na ocasião, o Brasil apoiou uma resolução que não condenava explicitamente o governo do Sudão, proposta por um bloco de países africanos liderados pela Argélia. Esse texto acabou sendo aprovado. A Finlândia, representando a União Européia, convocou nova reunião para esta semana, alegando que a resolução aprovada no começo do mês era insatisfatória. “Pequeno passo” Nesta quarta-feira, a organização de direitos humanos Human Rights Watch, que havia criticado a ONU e o Brasil por causa da postura deles em relação a Darfur, elogiou a decisão de enviar a missão. “É um pequeno passo na direção correta”, disse a representante da HRW, Mariette Grange, em entrevista à BBC Brasil. Para ela, que participou da reunião do Conselho, a ONU acertou ao deixar a indicação dos integrantes da missão a cargo do presidente do Conselho, evitando que países possam indicar políticos comprometidos com o Sudão para a função. Espera-se que a missão termine seus trabalhos até março de 2007, quando o Conselho de Direitos Humanos volta a se reunir sobre Darfur. Na sessão de abertura da reunião do Conselho, na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse que o órgão da ONU precisa ajudar a acabar com o “pesadelo” da violência “enviando uma mensagem clara e unida de que a situação atual é simplesmente inaceitável”. |
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