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Atualizado às: 13 de dezembro, 2006 - 16h51 GMT (14h51 Brasília)
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ONU decide enviar missão especial para Darfur

Darfur
O Sudão rejeita o envio de uma força de paz da ONU para Darfur
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu nesta quarta-feira em Genebra que vai enviar uma missão para a região de Darfur, no Sudão, para verificar as alegações de que está aumentando a violência contra civis no país.

A proposta não precisou ser votada, pois foi aprovada por consenso pelos 47 países membros do Conselho, inclusive o Brasil.

Os cinco enviados especiais da ONU para Darfur serão indicados pelo presidente do Conselho, o embaixador mexicano Luis Alfonso de Alba. A equipe será acompanhada pela investigadora especial da ONU sobre o Sudão, Sima Samar.

No começo do mês, o órgão da ONU havia aprovado uma resolução manifestando preocupação com a situação em Darfur. O Brasil chegou a ser alvo de críticas de organizações não-governamentais por se abster na votação de um texto mais duro contra o governo do Sudão.

Na ocasião, o Brasil apoiou uma resolução que não condenava explicitamente o governo do Sudão, proposta por um bloco de países africanos liderados pela Argélia.

Esse texto acabou sendo aprovado. A Finlândia, representando a União Européia, convocou nova reunião para esta semana, alegando que a resolução aprovada no começo do mês era insatisfatória.

“Pequeno passo”

Nesta quarta-feira, a organização de direitos humanos Human Rights Watch, que havia criticado a ONU e o Brasil por causa da postura deles em relação a Darfur, elogiou a decisão de enviar a missão.

“É um pequeno passo na direção correta”, disse a representante da HRW, Mariette Grange, em entrevista à BBC Brasil.

Para ela, que participou da reunião do Conselho, a ONU acertou ao deixar a indicação dos integrantes da missão a cargo do presidente do Conselho, evitando que países possam indicar políticos comprometidos com o Sudão para a função.

Espera-se que a missão termine seus trabalhos até março de 2007, quando o Conselho de Direitos Humanos volta a se reunir sobre Darfur.

Na sessão de abertura da reunião do Conselho, na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse que o órgão da ONU precisa ajudar a acabar com o “pesadelo” da violência “enviando uma mensagem clara e unida de que a situação atual é simplesmente inaceitável”.

Desde 2003, quando começou o conflito em Darfur, mais de dois milhões de pessoas já tiveram de abandonar suas casas. Estima-se que 200 mil morreram.

Diversos países ocidentais – entre eles os Estados Unidos – acusam o governo do Sudão de colaborar com milícias muçulmanas, que entraram em conflito com rebeldes da região de Darfur e com civis que apoiariam esses rebeldes.

O governo do Sudão nega as acusações e tem resistido à sugestão de envio de tropas da ONU para mediar o conflito. Atualmente, tropas da União Africana estão na região.

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