BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 13 de abril, 2007 - 11h37 GMT (08h37 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Trotskista se candidata pela sexta vez na França

Arlette Laguiller
Esta é a sexta vez que Arlette Laguiller se candidata à Presidência
A candidata trotskista Arlette Laguiller, da Luta Operária, registra apenas cerca de 2% das intenções de voto no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, de acordo com as principais pesquisas dos últimos meses.

Mas apesar desses resultados, ela não é um personagem desconhecido na vida política do país ou que suscite, aos 67 anos, pouca simpatia no eleitorado. Arlette Laguiller detém o recorde na França, mesmo entre os homens, de disputa de eleições presidenciais.

Esta é sua sexta corrida presidencial – e última, segundo ela mesma. Arlette Laguiller foi a primeira mulher a concorrer a esse cargo na França, em 1974. Ela detém provavelmente o recorde mundial feminino de disputa de eleições presidenciais.

“O único orgulho que posso ter desta sexta disputa presidencial é o fato de ser militante de um partido que ousou fazer essa escolha em um período em que a política era representada apenas por homens”, disse à BBC Brasil Arlette Laguiller.

“Foi necessário esperar 33 anos para que um grande partido, o Socialista, indicasse uma mulher para representá-lo nestas eleições”, afirmou a candidata trotskista, em referência a Ségolène Royal, a primeira mulher com chances reais de chegar à presidência da França.

Direito a voto

As mulheres obtiveram direito de voto na França apenas em 1945. Quando apresentou sua candidatura, em 1974, ressaltando a luta de classes, Laguiller declarou: “Trabalhadoras, trabalhadores, sim, sou uma mulher e ouso me apresentar como candidata à presidência dessa República de homens”.

Nem mesmo outro veterano, o candidato Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, também 67 anos, disputou tantas eleições presidenciais. Este é o quinto pleito de Le Pen.

Em 1981, diferentemente de Laguiller, ele não conseguiu reunir as 500 assinaturas de apoio de políticos necessárias para apresentar sua candidatura.

Grandes personalidades da vida política francesa, como François Mitterand e Jacques Chirac, que se elegeram presidente por dois mandatos, disputaram quatro eleições presidenciais.

As eleições presidenciais por sufrágio universal foram realizadas pela primeira vez na França em 1965, após a reforma da Constituição realizada pelo general de Gaulle.

Arlette Laguiller defende há 33 anos as mesmas idéias de defesa da classe operária. Esse discurso constante, que sinaliza para muitos que o país não mudou, desperta a simpatia do eleitorado pela candidata, considerada hoje por alguns “a vovó do cenário político francês”.

Segundo uma pesquisa do instituto BVA, divulgada em fevereiro passado, especificamente sobre a popularidade de Laguiller, 58% dos franceses têm uma boa opinião sobre a candidata, sendo que 48% desse total que a aprecia dizem ser eleitores da direita.

'Simpática'

De acordo com a mesma pesquisa, 80% dos eleitores a acham sincera e 78% a vêem como “simpática”.

Mas Arlette Laguiller não consegue transferir essa popularidade em votos efetivos, sobretudo nesta sua última disputa presidencial, em que seus índices de intenções de voto são mais baixos do que nas votações anteriores.

Nas duas últimas eleições presidenciais, em 1995 e 2002, ela teve, respectivamente, 5,3% e 5,7% dos votos no primeiro turno. Mais de 1,6 milhão de franceses votaram na candidata.

Em 1974, quando entrou na corrida presidencial, ela foi uma das principais líderes da greve que afetou o banco Crédit Lyonnais durante meses e que acabou se expandindo a outros bancos da França.

Arlette Laguiller propõe em seu programa de governo aumentar o salário mínimo para 1,5 mil euros líquidos e todos os salários em 300 euros, além do aumento dos benefícios sociais.

As medidas seriam financiadas com o aumento dos impostos das pessoas com altíssima renda e também das empresas com elevados lucros, sobretudo as que integram o índice CAC 40 da bolsa de Paris.

O aumento dos impostos dessas empresas, diz Laguiller, seria feito de forma “moderada”, de acordo com os montantes dos lucros registrados. A candidata diz que não se trata de uma divisão de riquezas, mas sim que os mais ricos participem do esforço para reduzir as desigualdades sociais.

“Sou uma miltante e continuo militando, mesmo em períodos não eleitorais. Nos últimos 33 anos, o futuro do mundo do trabalho está longe de dar sinais de melhoria, ao contário, está se agravando”, afirmou Laguiller à BBC Brasil.

“Desemprego em massa, de 8,5%, trabalho precário, queda do poder aquisitivo das classes populares, além da falta de moradias sociais em uma das maiores economias do mundo é algo inadmissível”, diz ela.

Arlette Laguiller já afirmou que tem certeza de que não passará para o segundo turno nessa campanha.

O importante, para ela, é continuar passando a sua mensagem de luta pela redução dos desequilíbrios sociais. Discurso que muitos eleitores franceses, apesar de não votarem na candidata, apreciam.

Eleições na França
42% dos eleitores ainda estão indecisos.
Veja
Nicolas Sarkozy, candidato de centro-direita à Presidência da FrançaFrança
Sarkozy promete 'ruptura tranqüila' em eleição presidencial.
Ségolène Royal Esquerda francesa
Para analista, candidata socialista surpreende céticos.
François Bayrou, candidato da UDF (União para a Democracia Francesa) à Presidência da FrançaFrança
'Terceiro homem' ameaça favoritos em eleição presidencial.
O candidato à Presidência da França José BovéFrança
Líder antiglobalização Bové irá disputar Presidência.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade