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Pesquisas indicam avanço da direita na França | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A menos de duas semanas das eleições presidenciais, as pesquisas de opinião na França indicam que a esquerda é minoritária na preferência do eleitorado. Juntos, os três principais candidatos conservadores somam mais de 60% das intenções votos declaradas (sem contar os indecisos): Nicolas Sarkozy (do partido UMP, do governo), François Bayrou (candidato que se apresenta com uma plataforma centrista mas é da UDF, um dos mais tradicionais partidos da direita francesa) e Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, que está em quarto lugar nas pesquisas. O jornal Le Monde desta quarta-feira destaca que Sarkozy lidera as pesquisas, com índices que variam entre 26% e 30,5%. Sondagens de diferentes institutos têm indicado esse percentual. Pesquisa divulgada na segunda-feira, do instituto LH2, mostra Sarkozy com 28% das intenções de voto, Bayrou com 18% e Le Pen com 15%. Em outra pesquisa, do Instituto Ifop para o Journal du Dimanche, divulgada no último domingo, Sarkozy está com 29,5% das intenções de voto. Bayrou, em terceiro lugar, registra 19% e o candidato da extrema-direita está com 14%, totalizando quase 63% das intenções de voto no primeiro turno. Os seguidos levantamentos deixaram os partidos de esquerda da França em pânico. Não somente a extrema esquerda registra índices inferiores aos obtidos nas pesquisas anteriores ao pleito de 2002, como a candidata socialista, Ségolène Royal, segunda colocada nas pesquisas, com entre 22% e 24% das intenções de voto, recuou nas sondagens desde o início do ano. No início de janeiro, o instituto de pesquisa CSA, por exemplo, dava 34% das intenções de voto para Ségolène. De acordo com esse mesmo instituto, Ségolène tem hoje 23,5% das intenções de voto. A candidata socialista está ameaçada de não ir para o segundo turno, porque, segundo analistas franceses, teria perdido parte de seus eleitores para François Bayrou. Esquerda Nem mesmo o Partido Verde, num momento em que as questões em torno do aquecimento global estão no topo das discussões internacionais, consegue decolar nesta campanha. A candidata do partido, Dominique Voynet, tem apenas cerca de 2% das intenções de votos nas recentes pesquisas. Nas eleições presidenciais de 2002, os candidatos ecologistas, que se inserem na esquerda, conseguiram mais de 7% dos votos no primeiro turno. De acordo com a mais recente sondagem, divulgada na segunda-feira, os partidos de extrema-esquerda - que, na França, incluem o Partido Verde nas suas filas - totalizam apenas 12,5% das intenções de voto. Esses mesmos partidos obtiveram há cinco anos quase 24% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Mas o que se observa nesta campanha é que a debandada do eleitorado da extrema-esquerda não está necessariamente beneficiando a candidata socialista, Ségolène Royal. Em 2002, muitos eleitores de extrema-esquerda se sentiram responsáveis pelo fraco desempenho nas urnas do socialista Lionel Jospin, que permitiu a Jean-Marie Le Pen, da extrema-direita, passar para o segundo turno. Mas, apesar dos apelos do Partido Socialista para a necessidade do chamado “voto útil”, ou seja, para o candidato com mais chances de eliminar os rivais da direita, os eleitores da esquerda não estão concedendo uma margem confortável para Ségolène Royal. Com o título “A França vai à direita nessas eleições”, o jornal Libération desta terça-feira escreveu que a esquerda francesa registra atualmente seu nível mais baixo nas pesquisas nos últimos 30 anos. “A França está realmente muito voltada para a direita. Um candidato da direita, ex-ministro do Interior, não deveria estar assim tão forte nas pesquisas”, declarou recentemente, sem nenhuma modéstia, o candidato Nicolas Sarkozy, conhecido por ter reforçado a ação repressiva da polícia e a lei de imigração do país. Analistas estimam que esta guinada da França para a direita se deve ao fato de que os eleitores não estariam mais encontrando nos partidos de esquerda respostas adequadas para os problemas do desemprego, da perda do poder aquisitivo e do baixo crescimento econômico do país. O ex-jornalista do Libération e professor de ciências políticas Eric Dupin, autor do livro A Droite Toute (Virada Brutal à Direita, em tradução livre), diz que a sociedade francesa evoluiu, como na maioria dos países industrializados, na direção de um individualismo. Dupin também responsabiliza a própria esquerda pela situação atual, dizendo que ela entrou no “terreno ideológico da direita”, o que contribuiu para a sua fraqueza atual. O slogan da campanha de Ségolène, “ordem justa”, mistura um conhecido lema da direita - ordem - com a preocupação com justiça social, típica da esquerda. |
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