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Atualizado às: 05 de dezembro, 2006 - 15h31 GMT (13h31 Brasília)
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Análise: Acuado, Bush resiste a mudanças no Iraque

John Bolton e George W. Bush
Saída de Bolton foi uma derrota política para Bush
O best-seller de Bob Woodward fala de um "estado de negação" na presidência de George W. Bush. Existe também um estado de sítio. Um governo que gosta de atacar está na defensiva.

Nas eleições no Congresso há um mês, os democratas triunfaram na sua ofensiva, e um dos resultados são baixas entre os legionários mais obstinados na tropa de choque de Bush, como o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o embaixador nas Nações Unidas, John Bolton.

E existe o cerco crescente para que o governo altere a sua política iraquiana. Na quarta-feira, serão formalizadas as recomendações da chamada comissão Baker, o primeiro grande esforço bipartidário para revisar as opções militares e políticas no Iraque, em meio à escalada de violência e degringolada do país.

James Baker é um dos pilares do "establishment" em Washington e "consigliere" da família Bush. Sua intervenção é vista por muitos como uma última tentativa de resgatar o presidente de si mesmo.

Retirada

Em termos genéricos, a expectativa é de que a comissão (com cinco republicanos e cinco democratas) recomende a alteração da missão das tropas americanas de combate para treinamento e suporte das unidades iraquianas, com o objetivo de retirada de parcela dos contingentes até o começo de 2008.

Uma outra recomendação espinhosa envolverá a necessidade americana de buscar, de algum modo, um diálogo com o Irã e com a Síria, como parte dos esforços conjuntos para conter a violência no Iraque.

Mas mesmo acuado, Bush resiste. Portanto, é preciso evitar altas expectativas em relação ao impacto das recomendações da comissão Baker. Como o conflito no Iraque já é mais longo para os americanos do que o engajamento na Segunda Guerra Mundial, a guinada pode se revelar uma lenta e agonizante descida para uma recuo inevitável e não uma retirada fulminante.

Em algumas circunstâncias (como a saída de cena de Rumsfeld e Bolton), Bush se dobra à realidade, mas ele ainda cava trincheiras retóricas. Na semana passada, o presidente disse duas vezes que no Iraque ele não aceita "nada menos do que a vitória para nossos filhos e netos".

Alteração de rota

Declarações categóricas muitas vezes antecipam mudança de rumo. Afinal, dias antes do anúncio da demissão de Rumsfeld, o presidente insistiu que o secretário de Defesa ficaria até o final do seu mandato em janeiro de 2009.

Mas, de qualquer forma, será ingrato convencer Bush a alterar a rota. Não é à toa que Bill Kristol, editor da revista Weekly Standard, diz que o presidente é o "último neoconservador" em Washington.

Já com uma pitada de ironia, Evan Thomas, na revista Newsweek, escreve que, enquanto o presidente se considera um Churchilll do século 21, muitos o vêem como o capitão do Titanic antes do naufrágio. É, de fato, uma inglória missão de salvamento para a comissão Baker.

Ademais, a capacidade operacional desta comissão é limitada. Para conseguir o consenso entre seus participantes, as recomendações são diluídas em generalidades e há também o reconhecimento das complexidades da situação.

Escuridão

Mesmo entre muitos democratas, existe relutância em relação à idéia de simplesmente fixar um calendário para a retirada de tropas americanas ou dúvida se uma conversa com iranianos e sírios possa ter um efeito positivo. E enquanto os luminares fazem recomendações em Washington, existe a escuridão no Iraque, onde as coisas realmente têm vida (e morte) própria.

Anthony Cordesman, um dos mais respeitados analistas militares americanos e membro do Center for Strategic and International Studies, em Washington, tem dito para quem quiser escutar que é uma piada a idéia de tropas iraquianas assumirem responsabilidades de segurança mesmo a médio prazo.

O Iraque será parte da realidade americana por um bom tempo. Não aceitar isto é estado de negação.

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