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Para analistas, discurso do premiê de Israel foi avanço real | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O discurso do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, na segunda-feira, despertou esperanças de um avanço do processo de paz, tanto do lado israelense como do lado palestino. Junto ao túmulo do fundador do Estado de Israel, David Ben-Gurion, Olmert se dirigiu aos dois povos e disse: "O passado não pode ser mudado e as vítimas do conflito, dos dois lados, não podem ser trazidas de volta. O que podemos fazer hoje é evitar mais tragédias e deixar para a geração jovem um horizonte mais claro e a esperança de uma vida nova". Olmert mencionou a possibilidade da retomada das negociações de paz com os palestinos, abandonando assim a estratégia unilateral anteriormente defendida por ele. O analista político do Haaretz, Akiva Eldar, disse à BBC Brasil que um dos elementos mais importantes do discurso é que Olmert "finalmente apresentou uma agenda". Direito ao retorno Eldar destacou dois pontos do discurso: "É muito importante que Olmert tenha mencionado que o Estado palestino deverá ter continuidade territorial, pois isso implica na retirada de grande parte dos assentamentos israelenses construídos na Cisjordânia". O analista também mencionou a maneira "sem precedentes" como o primeiro-ministro abordou a questão dos refugiados palestinos. No discurso, Olmert afirmou que "os palestinos devem abrir mão da implementação do direito ao retorno". A formulação oficial geralmente utilizada pelo governo israelense é que os palestinos devem "abrir mão do direito ao retorno". De acordo com Eldar, a inclusão da palavra "implementação" pode fazer uma grande diferença. "Um povo não pode renunciar a um direito, esta exigência por parte de Israel sempre fechou todas as portas a qualquer solução possível do conflito, mas quando se faz a distinção entre o reconhecimento do direito e a implementação na prática, se abre uma brecha para as negociações", disse Eldar. Continuidade territorial Farez Kadura, um dos mais importantes líderes do movimento palestino Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, disse à radio estatal israelense que considera o discurso de Olmert "positivo". "Considero bom o fato de que Olmert mencionou a criação de um Estado palestino, com continuidade territorial. Se o primeiro-ministro é sério no que diz, o discurso representa uma mudança positiva", disse Kadura. "Mas o problema dos refugiados palestinos deve ser resolvido, senão essa ferida sempre ficará aberta e sangrando. Devemos agir de acordo com a proposta dos países árabes e procurar uma solução justa e aceitável para Israel", acrescentou. Porém, o especialista em estratégia política, Raanan Gissin, que foi porta-voz do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, demonstrou ceticismo quanto à capacidade de Olmert de levar à frente os seus planos. "O discurso foi muito bom, muito positivo", disse Gissin à BBC Brasil, "mas tenho dúvidas se Olmert terá a força política para concretizar seus planos, pois depois da guerra do Líbano ele perdeu a confiança do público israelense". |
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