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Ativistas de Santa Cruz convocam greve de fome contra Morales | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Entidades civis do departamento boliviano de Santa Cruz conclamaram seus moradores a fazer greve de fome para contrabalançar o poder do presidente Evo Morales na Assembléia Constituinte, que está escrevendo uma nova Constituição nacional. O diálogo entre governo e oposição fracassou mais uma vez em uma reunião realizada nesta quinta-feira. As partes não conseguiram chegar a um consenso para negociar temas polêmicos, sobretudo a fórmula de aprovação da nova Carta Magna. Em meio à queda-de-braço, dois dos departamentos mais ricos do país, Santa Cruz e Beni, ameaçaram convocar um referendo para questionar a nova Constituição de Morales. A temperatura do ambiente político havia se elevado depois que o líder do centrista partido Unidade Nacional, Samuel Dória Medina – que está há uma semana em greve de fome – acusou o partido oficial, Movimento para o Socialismo (MAS), de fraudar a votação dos critérios de aprovação de projetos. Dória Medina afirmou que muitos dos delegados que figuram entre os votantes não estiveram naquele dia em Sucre, sede da Constituinte. Os representantes da Assembléia de Santa Cruz, entidade que reúne organizações civis da província no leste boliviano, declararam uma greve de fome a partir desta sexta-feira. Com o apelo da entidade, acredita-se que muitos deverão aderir à greve de Medina. O presidente Evo Morales, que conseguiu preencher pouco mais da metade das cadeiras da Assembléia, quer que a grande parte da aprovação dos projetos se dê por maioria absoluta. A oposição insiste na necessidade de dois terços dos delegados, como prevê a atual Constituição.
Disputas Caso não cheguem a um encontro com o governo, os oposicionistas de Santa Cruz podem retirar seus delegados da Assembléia Constituinte e realizar o referendo contra "este projeto unilateral de Constituição", eles disseram. O presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Germán Antelo, disse que a oposição se reunirá na segunda-feira para deliberar sobre uma greve geral que poderia incluir outros departamentos. Já o departamento de Beni decidiu que retirará imediatamente os seus representantes do Congresso, mas manterá seus delegados para defender, na Assembléia, a proposta de aprovação da nova Carta por dois terços dos votos. O presidente do Comitê Cívico do Departamento, Alberto Melgar, disse à BBC que a oposição começará a recolher assinaturas para um referendo sobre a nova Constituição. Por outro lado, o departamento de Tarija, onde estão os maiores recursos do gás boliviano, deu prazo até a terça-feira para que o governo volte atrás na sua fórmula de aprovação. Pressões Apesar do diálogo, as medidas de pressão sobre o governo de Morales não cessaram. Passeatas de indígenas à cidade de La Paz, sede do governo, continuaram. Nesta semana, as bancadas da oposição deixaram o Senado e boicotaram o quorum da votação sobre a lei de reforma agrária impulsionada pelo partido oficial, o Movimento para o Socialismo (MAS). O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, disse que não aceitaria “uma ditadura das minorias”. Outra reunião entre governo e oposição está marcada para o sábado. |
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