|
Peru e Colômbia correm para renovar acordos com EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Autoridades do Peru e da Colômbia correm contra o relógio para tentar estender o acordo de preferências tarifárias com os Estados Unidos, que vence em 31 de dezembro, e para tentar “salvar” o Tratado de Livre Comércio (TLC) depois da vitória dos democratas nas eleições para o Congresso americano. Nos últimos dias, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, esteve em Washington conversando com parlamentares republicanos (simpáticos ao TLC promovido pelo atual presidente George W. Bush) e com democratas (que passarão a ter maioria nas duas casas do Congresso a partir de janeiro). Ao mesmo tempo, o presidente do Peru, Alan García, enviou uma missão de sete ministros do seu governo à capital dos Estados Unidos com os mesmos objetivos de Uribe: postergar o atual acordo de preferências tarifárias para os países andinos – chamado ATPDEA - e “fazer lobby”, como disse o analista peruano Carlos Aquino Rodríguez, para que o TLC seja aprovado no Congresso sem novas exigências. O texto já foi aprovado pelos congressos do Peru e da Colômbia, mas depende da ratificação dos legisladores americanos e da assinatura do presidente dos Estados Unidos. “Dependência” Ouvidos pela BBC Brasil, os analistas Carlos Aquino Rodríguez, professor de economia na Universidade São Marcos, em Lima, e Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia, em Bogotá, confirmaram a “dependência” das exportações destes países para o mercado dos Estados Unidos. Há um grande temor de que as preferências “caiam” e que o TLC não seja ratificado pelo Congresso americano, onde a maioria passará a ser, no ano que vem, de democratas. “Os democratas são mais rigorosos com regras trabalhistas e de meio ambiente. Com isso, poderão fazer novas exigências para que o TLC seja aprovado”, afirmaram os dois analistas. Para Aquino, diante de questões como Iraque e Coréia do Norte, “que tanto preocupam os Estados Unidos”, os interesses do Peru e da Colômbia não parecem ter muita importância na agenda americana. “Mas se o acordo de preferências não for postergado e, além de tudo, o TLC, que é, basicamente uma ampliação deste entendimento, não sair do papel, os mais prejudicados serão os operários peruanos”, acrescentou. Bolívia e Equador O Acordo de Preferências Tarifárias para Países Andinos inclui ainda a Bolívia e Equador, que não pretendem aderir ao TLC, mas que também esperam o adiamento do fim do acordo de preferências tarifárias. Em troca deste benefício, os países se comprometeram a combater a plantação da folha de coca. “A saída é estender o acordo de preferências por um ano e ganhar tempo para aprovar o TLC”, disse o economista peruano. “Se não, como ficaremos em 2007?”, pergunta ele. No ano passado, o Peru registrou exportações globais de cerca de US$ 17 bilhões, recordou o analista. Deste total, mais de 30% foram para o mercado americano – dos quais cerca de 16% com preferências tarifárias. Os principais produtos peruanos beneficiados com a redução de tarifa (que pode chegar a até 50%) são os têxteis e agrícolas. Para a Colômbia, destacou Rangel, o mercado americano é o principal destino das exportações (cerca de 60% do total). Segundo ele, estima-se que, entre flores e produtos agrícolas, cerca de 40% das vendas colombianas aos Estados Unidos recebam redução de tarifas. Postos de trabalho “Nesse momento, a Colômbia não é prioridade para os Estados Unidos”, reconheceu. “Mas o TLC também beneficiará os americanos, que terão maior oportunidade de investir no país, especialmente na área de serviços, como bancos”. Na opinião do analista, existe a possibilidade do acordo de preferências ser estendido, mas a decisão só deve vir nos primeiros dias de dezembro, quando parlamentares irão analisar a questão. “Até lá estaremos torcendo e esperando que seja ampliado e que o TLC também seja aprovado no ano que vem”, disse Rangel. “Hoje, 600 mil postos de trabalho dependem da indústria que exporta com redução de tarifas aos Estados Unidos e nossa expectativa é de que o comércio aumente com o mercado americano depois do TLC.” | NOTÍCIAS RELACIONADAS Deputados dos EUA defendem isenção a produtos brasileiros16 novembro, 2006 | BBC Report Empresários do Brasil vão aos EUA defender isenção tarifária10 novembro, 2006 | BBC Report Furlan crê que EUA renovarão isenção a produtos brasileiros07 novembro, 2006 | BBC Report Comércio com Brasil fica mais difícil sob democratas04 novembro, 2006 | BBC Report Uruguai fica no Mercosul para evitar racha interno05 outubro, 2006 | BBC Report Economia peruana cresce muito, mas pobreza cai pouco01 junho, 2006 | BBC Report Vitorioso, Uribe pede apoio do Congresso29 maio, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||