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Atualizado às: 05 de outubro, 2006 - 16h00 GMT (13h00 Brasília)
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Uruguai fica no Mercosul para evitar racha interno

O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e o representante do governo americano, Everett Eissenstat
Vázquez reuniu-se em Montevidéu com o representante do governo americano, Everett Eissenstat
O anúncio nesta semana da assinatura de um acordo comercial do Uruguai com o governo americano é uma tentativa do governo do presidente Tabaré Vázquez de solucionar uma disputa interna e, ao mesmo tempo, arrefecer uma crise externa.

Essa é visão de diferentes analistas políticos sobre o anúncio feito pelo mandatário uruguaio na terça-feira, quando afirmou ter decidido fechar um Tratado de Promoção e Proteção de Investimentos (TPPI) com os americanos.

“Com essa alternativa, com esse caminho, o presidente optou pela busca do consenso, uma tradição na política uruguaia”, disse à BBC Brasil, por telefone, o cientista político Miguel Serna, professor de ciências sociais da Universidade da República.

Após meses de ameaças de deixar o Mercosul, disputas e declarações apimentadas, Vázquez optou por uma solução intermediária.

Via do meio

Segundo analistas, o TPPI é um acordo de intenções que poderá permitir ao Uruguai aumentar suas exportações aos Estados Unidos e atrair possíveis investimentos americanos sem obrigar o país a romper com o Mercosul.

O acordo está longe de ser, ainda de acordo com os especialistas, um Tratado de Livre Comércio (TLC), algo que o governo uruguaio chegou a estudar.

“Um TLC como o que foi feito entre Estados Unidos e Peru seria mortal para o desenvolvimento da economia uruguaia”, diz economista Gerardo Caetano, professor de economia na mesma universidade. “A melhor saída para o Uruguai é o Mercosul. Mas ainda espera-se que os dois maiores sócios (Brasil, Argentina e, agora, Venezuela) sejam mais generosos com os dois sócios menores (Paraguai e Uruguai).”

Para ele, as discussões no governo uruguaio sobre o TLC surgiram como alternativa “à falta de retorno” do Mercosul. A assinatura do TLC obrigaria o Uruguai a deixar o bloco.

Disputa na cúpula

O debate sobre qual a amplitude que um acordo com os Estados Unidos deveria ter já durava meses.

“Foi uma luta interna muito difícil, mas o presidente escolheu a prudência e superou a tentação de um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Ele evitou a divisão da Frente Ampla e entre seus ministros”, afirma Gerardo Caetano.

Segundo os analistas, a Frente Ampla estava dividida em três partes. Aqueles que rejeitavam um acordo de livre comércio com Estados Unidos, os que defendiam o acesso ao mundo através do Mercosul e os mais pragmáticos, que pensavam que, se o Mercosul não funciona economicamente para o Uruguai, o melhor seria procurar outras saídas - possivelmente, o TLC com Estados Unidos.

Esse debate envolveu, pelo menos, três ministros de peso do governo Vázquez.

O ministro da Economia, Danilo Astori, era favorável ao TLC como alternativa para ampliar as exportações uruguaias ao mercado americano.

O ministro das Relações Exteriores, Reinaldo Gargano, era contrário ao TLC, mas está decidido a tentar melhorar os resultados para o país no Mercosul.

Finalmente, a ministra do Desenvolvimento Social, Marina Arismendi, era totalmente avessa ao debate que envolveria maior aproximação na relação econômica e comercial com Estados Unidos.

“A decisão do presidente foi a de manter a relação (entre diferentes partes do) partido e governo (equilibrada)”, afirmou Serna.

Porta aberta

A decisão tomada pelo Uruguai não representa, porém, o fim da crise do país com o Mercosul.

Para Miguel Serna, o TPPI não significa o fim da discussão sobre a criação futura de “algum tipo de TLC”.

Na sua opinião, o TPPI deixa a porta aberta para o debate. Esse acordo entra em vigor em 1º de novembro e não precisa ser ratificado pelo Congresso.

Atualmente, o mercado americano é o maior importador da carne uruguaia – carro-chefe da economia.

Nos últimos cinco anos, o Uruguai deixou de ser dependente das vendas de seus produtos – maioria de agropecuária – para Brasil e Argentina.

Hoje, suas exportações estão igualmente distribuídas entre Mercosul, Nafta (EUA, Canadá e México), União Européia, entre outras regiões, e o país tem mais liberdade para escolher seus parceiros.

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