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Atualizado às: 19 de abril, 2006 - 23h18 GMT (20h18 Brasília)
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'Mercosul como está não serve', diz presidente uruguaio

Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai
Vázquez: 'Até aqui, nós, que somos menores, sempre temos perdas.'
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, afirmou que o Mercosul como está "não serve".

As declarações foram feitas em Assunção, no Paraguai, onde o governo também tem feito freqüentes críticas ao andamento do bloco que reúne ainda Brasil e Argentina.

"Este não é o Mercosul que nós, Paraguai e Uruguai, queremos. Tem que ser melhorado para que nos favoreça", criticou, conforme o jornal El País, de Montevidéu.

"Até aqui, nós, que somos menores, sempre temos perdas.”

A insatisfação dos dois países tem preocupado o governo brasileiro, criticado nos bastidores da administração uruguaia por não "proteger" e "dar maior atenção" aos dois sócios menores.

Além disso, entre negociadores brasileiros e argentinos, teme-se que Vázquez não compareça à próxima reunião de cúpula do Mercosul, em julho, na Argentina, e que acelere negociações de acordos bilaterais de comércio com os Estados Unidos.

Impaciência

Nesta quarta-feira, Vázquez mostrou-se impaciente com a falta de interferência do bloco nas disputas travadas entre o Uruguai e a Argentina, há mais de dois meses.

E sugeriu, segundo a imprensa uruguaia e paraguaia, que o Paraguai esteja a seu lado na disputa com a Argentina.

Neste período, duas das três estradas internacionais de acesso ao território uruguaio foram fechadas por manifestantes argentinos que argumentam temer os efeitos da construção de duas fábricas de pasta de celulose no meio ambiente e na economia local.

Desde então, quase que semanalmente, o governo uruguaio informa as perdas acumuladas com estes bloqueios nas suas estradas.

Atualmente, Uruguai e Argentina discordam sobre a construção de duas fábricas de pasta de celulose – Botnia e Ence – às margens do rio Uruguai, que divide os dois países.

Vázquez informou que apelou ao tribunal de controvérsias do Mercosul para que resolva a disputa. No seu entendimento, essa é uma crise regional.

Para o presidente argentino, Néstor Kirchner, é bilateral e Brasil e Paraguai devem ficar de fora das discussões.

Kirchner anunciou que pediu ao governo da Finlândia que peça à empresa finlandesa Botnia, cujas obras estão avançadas, que suspenda os trabalhos até que se chegue a um entendimento.

No governo uruguaio, afirma-se que o país tem a tradição de respeitar contratos e não abrirá mão dos investimentos das duas fábricas de celulose (juntas somarão o maior investimento da história do país de três milhões de habitantes).

A única coincidência, no momento, é que os quatro governos torcem para que essa divergência entre Argentina e Uruguai seja resolvida o quanto antes, para não paralisar ainda mais um bloco que, de acordo com um diplomata argentino, "já não anda bem das pernas".

Tabaré VazquezUruguai
Possível acordo bilateral com EUA gera crise política.
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