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Após 45 dias, argentinos liberam estrada para o Uruguai | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Manifestantes argentinos liberaram o trânsito, nesta terça-feira, na principal estrada de acesso ao Uruguai, chamada de rodovia 136. A decisão foi tomada após 45 dias de bloqueio que impedia, completamente, a passagem de caminhões, ônibus e automóveis particulares da cidade argentina de Gualeguaychú para a cidade uruguaia de Fray Bentos. Por essa estrada passam, normalmente, mais de 300 veículos por dia. O bloqueio tinha como objetivo protestar contra a construção de duas fábricas de pasta de celulose às margens do rio Uruguai, que divide os dois países. Os manifestantes temem a poluição das águas da região. O fim do bloqueio ocorreu porque os governos dos dois países prometeram que as obras serão paralisadas por 90 dias, prazo no qual inspeções rigorosas sobre os riscos de poluição seriam feitas. Crise política As disputas por causa das fábricas incluíram uma crise política entre os governos dos presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Uruguai, Tabaré Vásquez. Eles passaram pelo menos 20 dias sem se falar, e o governo argentino conseguiu aprovação do Congresso Nacional para apelar à Corte Internacional de Haia contra as obras no país vizinho. Nesta terça-feira, a expectativa é que a partir de agora as negociações sejam aceleradas, mas, segundo comentaristas de emissoras de rádio e de televisão dos dois países, o fim do bloqueio não significa que o impasse tenha chegado ao fim. Os manifestantes argentinos avisaram que estão “de vigília” e que poderão voltar a interromper o trânsito a qualquer momento, caso as duas empresas não suspendam as obras como prometido. As companhias – a finlandesa Botnia e a espanhola Ence – concordaram com as inspeções, mas não se manifestaram oficialmente sobre a possível paralisação. Turismo Tanto Gualeguaychú quanto Fray Bentos são movidas, principalmente, pelo turismo e pela agropecuária. Cauteloso, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, disse que a decisão dos manifestantes argentinos “é um bom sinal”, mas ressalvou que a “preocupação” é que talvez não deixem passar os caminhões para as obras. Por sua vez, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Alberto Fernández, afirmou que a medida facilitará o caminho para um acordo entre os dois vizinhos e sócios. O protesto numa outra estrada que liga os dois países, na cidade argentina de Colon em frente à uruguaia Paysandú foi mantido. A ambientalista argentina Silvia Echeverria, que vive na cidade de Colon, disse que respeita a decisão tomada pelos manifestantes de Gualeguaychú, mas prefere primeiro “ver para crer” que as obras das duas fábricas de papel serão realmente suspensas, mesmo que temporariamente. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, poderia participar desta negociação entre a Argentina e o Uruguai, segundo a imprensa argentina. Ela estará na capital argentina na terça e quarta-feira, para encontros com o presidente Kirchner, ministros e parlamentares. Depois, seguirá para o outro lado do rio da Prata e do rio Uruguai, para encontros com o presidente Tabaré Vázquez e integrantes de seu governo. É a primeira viagem internacional de Bachelet desde que tomou posse no último dia 11 de março. |
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