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Atualizado às: 23 de fevereiro, 2006 - 14h31 GMT (11h31 Brasília)
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Argentina leva crise com Uruguai ao Tribunal de Haia

Argentinos bloquearam tráfego de veículos na fronteira
O Senado argentino aprovou, por unanimidade, na quarta-feira, projeto de lei do presidente Nestor Kirchner pedindo apoio para apelar ao Tribunal Internacional de Haia contra a construção de duas fábricas de pasta de celulose na cidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do rio Uruguai.

Nesta quinta-feira, o texto será votado na Câmara dos Deputados, onde a expectativa é que o governo receba nova aprovação e possa concretizar a iniciativa.

Pouco antes do resultado no Senado argentino, o governo do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, enviou um comunicado ao embaixador argentino na ALADI (Associaçao Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), Juan Carlos Olima, pedindo a interferência do Mercosul para a abertura do tráfego em duas das principias estradas internacionais do país.

Ao mesmo tempo, Vasquez mandou uma missão oficial de assessores a Washington, como divulgou a imprensa dos dois países, para conversar com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, a quem pediria ajuda para "o livre trânsito de pessoas".

O argumento do governo argentino, como afirmou o ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, é o de que o Uruguai “desrespeitou” o tratado do rio Uruguai, assinado em 1973, pelos dois países, ao autorizar a construção das fábricas sem consultar a Argentina previamente.

Por sua vez, a reclamação do Uruguai é contra o bloqueio do trânsito por moradores nas duas das três pontes de acesso ao país. Nas proximidades da ponte San Martín, que liga Fray Bentos com a cidade argentina de Gualeguaychú, na província de Entre Rios, o tráfego está interrompido desde o dia 3 de fevereiro.

Na ponte entre a uruguaia Paysandú e a argentina Colon, o bloqueio no território argentino começou na semana passada.

Na quarta-feira, numa votação, moradores de Concórdia, em frente à cidade uruguaia de Salto, decidiram não impedir o trânsito pelo local. No governo uruguaio, temia-se por mais este bloqueio que “sufocaria ainda mais” o transporte de carga e passageiros ao país.

Recentemente, o presidente Vásquez enviou uma carta ao colega Néstor Kirchner, que atualmente exerce a presidência temporária do Mercosul, pedindo que as diferenças fossem resolvidas dentro do bloco.

Mas como não teve resposta, explicaram assessores uruguaios, decidiu-se apelar através da ALADI. Por sua vez, de acordo com a imprensa argentina, Kirchner não precisaria do aval do Congresso Nacional para recorrer a Haia, onde a decisão, segundo o senador Rodolfo Terragno, da Comissão de Relações Exteriores, poderia demorar até 2010.

Mas Kirchner, ao pedir a aprovação dos parlamentares, preferiu "demonstrar unanimidade política" contra as construções que “poluirão”, de acordo com a Casa Rosada, o rio Uruguai.

A mesma "união política", recordaram analistas uruguaios, que Vásquez também quis mostrar ao reunir, a cerca de quinze dias, políticos de diferentes tendências que decidiram aprovar a continuidade das construções das duas fábricas de pasta de celulose.

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