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Brasil não 'assume' liderança do Mercosul, diz ministro uruguaio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil, apesar de ser o líder natural do Mercosul, não parece disposto a exercer essa liderança, na opinião do ministro da Economia e FInanaças do Uruguai, Danilo Astori. "Acredito que o Brasil, que é o líder natural desse projeto (o Mercosul) pelo seu tamanho e pela sua importância, não assume definitivamente essa liderança, não parece muito entusiasmado em assumir essa liderança", disse Astori em entrevista à BBC, ao falar dos problemas do Mercosul. Segundo ele, o Brasil "pensa muito mais na sua presença no mundo como um todo, como um jogador global, do que como líder regional". Além disso, um dos problemas mais graves do Mercosul, para Astori, é a crescente "conduta bilateral" entre o Brasil e a Argentina, prejudicando as economicas pequenas do bloco, como a uruguaia e a paraguaia. Ele acredita que o Mercosul esteja passando por um momento muito ruim é que há várias razões para isso. "Tanto a zona de livre comércio como a união aduaneira estão funcionando de uma maneira muito imperfeita, muito incompleta. Não há coordenação de políticas econômicas entre os quatro países. Há profundas assimetrias entre as economias maiores, como o Brasil e a Argentina, e as menores, como Uruguai e Paraguai", afirmou. Outros parceiros Astori afirma que uma maneira de corrigir essas asssimetrias é "buscar um melhor lugar no mundo (...) sem abandonar o Mercosul". Esse seria um caminho sólido para o Uruguai, uma economia pequena, conseguir amenizar o problema. O ministro uruguaio ressaltou que o país não está apenas tratando de incrementar o comércio com os Estados Unidos, mas também com a Europa, a Grã-Bretanha, a China e a Índia. "A diferença (entre esses parceiros em potencial) é que os Estados Unidos é o nosso principal cliente e essa é uma realidade que não se pode ignorar. Os Estados Unidos compra 24% das exportações do Uruguai, quase um quarto de todas as exportações", afirmou. "Os Estados Unidos, sozinhos, compram mais do Uruguai do que o Brasil e a Argentina juntos. Então, como é possível ignorar isso?". Segundo ele, há um consenso no governo uruguaio de que é preciso buscar um incremento nas relações com os Estados Unidos. As negociações vão ter início no mês que vem. Mas Astori afirmou que um tratado de livre comércio é apenas uma das ferramentas para se fazer isso. Qualquer eventual acordo não deve, segundo ele, impedir que os países latino-americanos continuem negociando coletivamente na formação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Argentina Danilo Astori negou que os problemas que o país vêm enfrentando com a Argentina por causa da instalação de duas fábricas de pasta de celulose às margens do rio Uruguai tenham sido a razão pela qual o país decidiu buscar outros parceiros fora do Mercosul. Esse teria sido apenas um fator agravante. Mas ele afirmou que o conflito "fere os aspectos mais essenciais de um projeto de integração". Os argentinos têm bloqueado as estradas que ligam os dois países por serem contra a instalação das fábricas, do lado uruguaio do rio. Para eles, o impacto ambiental será ruim. Os presidentes do Uruguai e da Argentina se reúnem na próxima semana para discutir o assunto. Astori disse que o Uruguai permanece aberto ao diálogo e à idéia de proporcionar à Argentina uma participação no controle das fábricas. Mas afirmou que o país não abre mão do "direito soberano" de ir em frente com as instalações. |
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