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Comércio com Brasil fica mais difícil sob democratas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos poderão ficar mais difíceis caso os democratas assumam o controle do Congresso americano. É essa a opinião de diferentes analistas ouvidos pela BBC Brasil. Após as eleições desta terça-feira, os Democratas já garantiram a maioria na Câmara dos Representantes e ainda podem tomar o controle do Senado em Washington. "Em termos de acordos comerciais, a situação poderá ficar um pouco mais difícil. A tolerância para tratados de livre comércio é cada vez menor. E os democratas sempre foram mais resistentes a esse tipo de acordo, mesmo quando havia um democrata no poder, o presidente Bill Clinton", afirma Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute, do Woodrow Wilson Center, um dos mais conceituados centros de pesquisas políticas dos Estados Unidos. De acordo com Riordan Roett, diretor do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade John Hopkins, de Washington, o Brasil poderá enfrentar contratempos, após junho do ano que vem, quando vence o prazo do "fast track", também conhecido pela sigla TPA (Trade Promotion Authority), a legislação que permite ao governo americano negociar acordos de livre comércio sem a possibilidade de emendas pelo Congresso. "Os republicanos não concederam o ''fast track'' a Clinton e duvido que os democratas o darão a Bush, que, até lá, faltando pouco mais de dois anos para as eleições presidenciais, será um peso morto", afirma Roett. Paulo Sotero acredita que o "fast track" poderá até ter uma sobrevida, mas isso dependerá de que ocorram avanços na Rodada de Doha, que busca um acordo para a liberalização do comércio internacional. A rodada será renovada no início do ano que vem. Apatia "Será difícil fazer o que quer seja no campo do comércio, devido ao fim do fast track. Não vejo nada acontecendo em termos de política comercial com a América Latina no futuro próximo", diz Robert Wilson, o vice-reitor da Escola de Políticas Públicas da Universidade do Texas. Segundo Wilson, pode até ser que haja "um ímpeto por parte dos democratas em excluir o Brasil de algumas concessões comerciais", mas o analista acredita que a maior ameaça ao Brasil reside na polarização entre a administração republicana e o Congresso dominado por democratas. "É muito difícil que eles consigam, ou mesmo queiram, chegar a algum consenso em temas comerciais. Deverá ser assim pelos próximos dois anos", comenta. O presidente do Inter American Dialogue, Peter Hakim, crê que a possibilidade de progresso em acordos comerciais é remota, uma vez que republicanos e democratas não parecem dispostos a encontrar um denominador comum no que chama de "temas difíceis" ligados a negociações comerciais, como "alcançar regulamentações trabalhistas e compensações para trabalhadores americanos que serão afetados por tratados de livre comércio". Hakim acredita que as perspectivas de um cenário menos sombrio residem na esperança de que os democratas "não queiram parecer obstrucionistas", mas, em contrapartida, ele avalia que o Partido Democrata "talvez veja tudo sob o prisma da eleição presidencial de 2008 e não queira dar qualquer triunfo a Bush, preferindo fazer com que a administração dele pareça fraca". Transformação De acordo com Riordan Roett, "o Partido Democrata foi o partido do livre comércio por muitas décadas, mas após a aprovação do Nafta (o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre Estados Unidos, México e Canadá) se tornou cada vez mais protecionista". Caso se tornem a força dominante do país, os democratas, no entender de Roett, estarão com os olhos voltados para o pleito presidencial de 2008, o que não permitiria que essa postura seja revista. Uma vitória democrata ofereceria algumas boas perspectivas para o Brasil no entender de Paulo Sotero. Ele acredita que, com um Congresso controlado pelos democratas, aumentam as possibilidades de renovação do Sistema Geral de Preferências (SGP), um programa comercial que beneficia produtos de países em desenvolvimento, com isenção das taxas de importação. Graças ao SGP, o Brasil pôde exportar, no ano passado, o equivalente a US$ 3 bilhões em produtos livres de impostos para os Estados Unidos. O SGP expira no final deste ano e dois deputados republicanos apresentaram propostas que excluiríam tanto o Brasil como a Índia do programa. "Com uma vitória democrata, que costumam ser mais assistencialistas, passam a ser bem maiores as chances de renovação do SGP, ainda que temporária. Mas, mesmo que isso aconteça, os empresários brasileiros que se beneficiam desse tipo de isenção precisam se preparar, porque a tendência é que tais benefícios sejam reduzidos", diz Sotero. |
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