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Economia peruana cresce muito, mas pobreza cai pouco | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A economia peruana bate recorde de crescimento contínuo, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, mas a pobreza não cai no mesmo ritmo, segundo dados oficiais. O desequilíbrio é um dos desafios do próximo presidente do Peru, como reconheceram à BBC Brasil os economistas Enrique Cornejo, diretor do programa econômico do candidato Alan García, do Apra, e Félix Jimenez, que ocupa o mesmo cargo na equipe de Ollanta Humala, do UPP. “Esse crescimento precisa chegar a setores que geram mais emprego, como turismo, agricultura, agronegócios, pesca e manufatura com valor agregado”, disse Cornejo, professor de economia da Universidade de Lima. Félix Jimenez, professor de economia da Universidade Católica de Lima, concorda e ressalta: “O crescimento atual é liderado pelos setores exportadores, como minério, que não geram muito emprego”. O Ministério da Economia e Finanças peruano divulgou nesta quarta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Crescimento econômico São 56 meses consecutivos de expansão econômica, como confirmaram economistas do Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI), do ministério da Economia. O resultado destes dezenove trimestres de crescimento econômico ininterrupto é inédito na economia peruana, de acordo com fontes do Inei. Em 2005, a economia cresceu cerca de 6% e a expectativa para 2006 era de uma taxa entre 4,7% e 5%. Neste mesmo período de aumento do PIB, a pobreza caiu de 54% para 51,6%. Mas a despeito da redução, 22% da população peruana ainda vive abaixo da linha de pobreza, como observou Enrique Cornejo, citando dados oficiais. Além disso, afirmaram Cornejo e Jimenez, aproximadamente 60% dos trabalhadores peruanos atuam na economia informal – uma constante na história econômica do país. “Nos últimos anos, a economia do país avançou muito. A inflação está controlada, o mercado cambial é livre e as exportações crescem. Mas algumas regiões se sentem totalmente excluídas deste crescimento, como as regiões sul e central andina”, disse Cornejo. Ele lembrou que o desemprego atinge cerca de 10% da população economicamente ativa e menos de 40% dos peruanos têm emprego formal. De acordo com Carlos Aquino, economista e professor da Universidade de São Marco, nas regiões mais pobres do país, as pesquisas apontam favoritismo de Ollanta Humala. Medidas O economista da equipe de García afirma que a meta do ex-presidente peruano é “chegar ao crescimento de 7% anual". Para isso, conta ele, “vamos precisar de investimentos, de joint ventures e também queremos gerar políticas públicas voltadas para os setores que não estão sendo beneficiados pela expansão econômica”. Outras medidas previstas, segundo ele, são o combate à evasão fiscal, cortes nos gastos do governo, incluindo o de salários do setor público, transparência e estabilidade econômica. Por sua vez, Félix Jimenez informou que o programa econômico de Humala inclui, caso ele chegue ao poder, a “nacionalização das atividades estratégicas”, como o gás. “Nacionalizar não significa expropriar e nem estatizar. Mas renegociar os contratos para que as tarifas sejam adequadas (à realidade peruana)”, disse. “Hoje o preço interno do gás no Peru é fixado de acordo com o preço internacional. Esse preço tira a competitividade interna”. Segundo ele, outros fatores que podem auxiliar no combate à pobreza e levar a uma melhor distribuição de renda são o fortalecimento dos órgãos reguladores das empresas privatizadas e a expansão do mercado de crédito. Entre as diferenças marcadas nos programas de governo de Alan García e Ollanta Humala estão a política cambial – livre, para García, e com intervenções para Humala - e o Tratado de Livre Comércio, TLC, assinado pelo atual presidente peruano Alejandro Toledo com os Estados Unidos. O acordo ainda depende de aprovação do Congresso Nacional. García já avisou que irá manter o acordo firmado por Toledo, mas Humala rejeita a proposta, porque acredita que ela irá gerar ainda mais desemprego. |
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