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Impasse na ONU é 'vitória' e 'derrota' para Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de 35 rodadas de votações, simpatizantes e críticos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, têm visões opostas ao avaliar se o atual impasse na escolha do susbtituto da Argentina no Conselho de Segurança da ONU representa uma pequena vitória ou uma fragorosa derrota para o regime chavista. O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, disse que o simples fato de a Venezuela bloquear ter conseguido bloquear a escolha de sua concorrente, a Guatemala, preferida pelos Estados Unidos, é "uma vitória moral". Ele ecoa assim as palavras do seu presidente Hugo Chávez, para quem a Venezuela "deu uma lição ao Império". Mas o presidente do respeitado centro de estudos Diálogo Interamericano, o cientista político americano Peter Hakim, acha que o impasse mostra que "a influência do presidente Chávez chegou ao seu limite". 'Ferramenta' Eleita para o Conselho, a Venezuela seria uma "ferramenta conveniente para muitos países que querem atacar os Estados Unidos, mas não podem fazê-lo abertamente", disse o diplomata venezuelano Diego Arria, que presidiu o Conselho de Segurança em 1991, quando era embaixador da Venezuela na ONU, no mandato de Carlos Andrés Pérez, um dos maiores rivais políticos de Hugo Chávez. Apesar do tom antiamericano - ou mesmo por causa dele - a campanha de Chávez pela vaga no Conselho obteve apoio de países de peso no próprio continente. "Tivemos o apoio firme de quase 80% dos países da América Latina e do Caribe, como nunca antes na história de nosso continente, que já chegou a ser chamado de quintal dos Estados Unidos", afirmou o chanceler venezuelano Nicolás Maduro. Para o ministro chavista, embora a Guatemala tenha vencido quase todas as votações, o fato de mais de 90 países terem votado contra os Estados Unidos em uma disputa altamente polarizada precede "um futuro de avanços no horizonte". Mas outros observadores criticam o que vêem como uma postura beligerante e conflituosa do presidente Chávez. 'Roupa suja' Peter Hakim, disse que "a América Latina está lavando roupa suja em público, e isso é um absurdo". "Há países que poderiam obter consenso na região, e não seria preciso criar desentendimentos." Em junho, o Departamento de Estado americano divulgou um comunicado afirmando que "infelizmente a Venezuela tem demonstrado que ela está mais preocupada em perturbar eventos internacionais do que em trabalhar construtivamente para o alcance de objetivos comuns." Na visão americana, a Venezuela atravancou o andamento de eventos como a Cúpula das Américas, na Argentina, e a Assembléia Geral da ONU em 2005, ao ser o único membro da organização a rejeitar o documento final da cúpula.
Mais recentemente, Chávez se referiu ao presidente americano, George W. Bush, como o "diabo", na Assembléia da ONU neste ano. Hakim diz que a oposição aos Estados Unidos tem dado lucros políticos ao presidente Chávez. "Em algumas eleições, a oposição aos Estados Unidos impulsionou algumas candidaturas, sendo a de Evo Morales o melhor exemplo. Chávez está ganhando influência por causa dos Estados Unidos, e os Estados Unidos têm ajudado Chávez ao levá-lo em consideração." ‘Petrodiplamacia’ O país de Hugo Chavez é acusado de praticar a "petrodiplomacia", oferecendo benefícios no comércio de petróleo a países que apoiam a sua candidatura. Como Hakim, o ex-embaixador Diego Arria critica a diplomacia de Chávez, e diz que a Venezuela "já foi representada quatro vezes no Conselho de Segurança sem ter de comprar um cafezinho". Para ele, a sugestão venezuelana de eleger a Bolívia como saída de consenso é inválida, porque é "unilateral". Na opinião de Peter Hakim, Chávez "não tem o direito de sugerir a Bolívia". |
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