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Impasse leva votação na ONU para terceiro dia | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os 192 membros da Assembléia Geral da ONU encerraram o segundo dia de votação sem chegar a um acordo sobre quem deve ocupar uma das vagas da América Latina no Conselho de Segurança das Nações Unidas: Guatemala ou Venezuela. As votações deverão ser retomadas nesta quinta-feira. Entre segunda e terça-feira, foram realizadas 22 rodadas de votação, mas nenhum dos dois países conseguiu reunir o número de votos necessários para conquistar o assento atualmente ocupado pela Argentina. A outra cadeira latino-americana está sendo ocupada pelo Peru, cujo mandato só expira no próximo ano. Na última rodada desta terça-feira, a Guatemala, que conta com o apoio dos Estados Unidos, recebeu 102 votos. A Venezuela ficou com 77. Houve 12 abstenções. Apesar da vantagem da Guatemala, o país está longe de atingir a votação necessária para assegurar a vaga, ou seja, dois terços dos votos válidos na Assembléia Geral. O número varia de acordo com a quantidade de abstenções, que são descontadas, mas na última votação equivalia a 120 dos 192 votos - o que significa que a Guatemala está 18 votos aquém e a Venezuela, 43. A Guatemala liderou todas as votações até agora, à exceção de uma de segunda-feira, em que houve empate. Pelas regras da ONU, os dois países deverão continuar se enfrentando em novas rodadas até que um acordo seja alcançado. Posição brasileira A candidatura da Venezuela tem o apoio do Brasil e dos demais membros do Mercosul. O país também recebeu o aval tácito da Rússia e da China, dois membros permanentes do Conselho, e de países africanos. Para a missão brasileira na ONU, é natural que o Brasil apóie a Venezuela pela sua condição de membro pleno do Mercosul, mas a representação brasileira ressalva que mantém "excelentes relações com a Guatemala". Os Estados Unidos fazem campanha em favor da Guatemala. Um impasse semelhante, ocorrido entre Cuba e Colômbia em outubro de 1979, se estendeu por mais de dois meses até a eleição de um terceiro candidato, o México. "Resistência" Desta vez, chegou-se a sugerir a candidatura do Uruguai para a vaga, mas a Venezuela não parece disposta a desistir tão cedo da disputa. "Com o exemplo do povo vietnamita (durante a Guerra do Vietnã) como podemos desistir em um dia?", afirmou o embaixador do país na ONU, Francisco Arias Cardenas, segundo a agência de notícias France Presse. "Com o exemplo da resistência de outros povos, do povo coreano, como podemos desistir em um dia?", insistiu Cardenas. Por sua vez, o ministro do Exterior da Guatemala, Gert Rosenthal, disse que o país é "uma voz independente", rejeitando insinuações de que seria submisso aos Estados Unidos. De acordo com a missão brasileira na ONU, o Brasil não cogita mudar sua posição nem apoiar um terceiro candidato de consenso. Ainda segundo a representação, caberá à Assembléia Geral tomar uma providência se o "padrão de votação continuar". Nenhum outro país da região apresentou a sua candidatura nesta terça-feira, embora seis das 12 votações realizadas tenham sido abertas à participação de outros representantes de América Latina-Caribe. Na segunda-feira, México e Cuba chegaram a se apresentar, mas obtiveram apenas um voto. "Polarização" O correspondente da BBC em Nova York Luis Sarmiento informa que a eleição criou um ambiente de polarização na ONU. A Venezuela é acusada de praticar a “petrodiplomacia”, oferecendo benefícios no comércio de petróleo a países que apoiam a sua candidatura. Já a Guatemala, diz o correspondente, tem sido duramente criticada por sua aproximação com os Estados Unidos. Sua autonomia no momento das votações cruciais no Conselho é colocada em dúvida. Por outro lado, há países que vêem na escolha da Venezuela uma fonte de instabilidade para o Conselho dadas as tensões permanentes entre Caracas e Washington. Muitos ainda têm fresco na memória o último discurso do presidente Hugo Chávez na ONU, em que ele chamou o presidente americano, George W. Bush, de "diabo". Divisão Para analistas, o que está claro é que há uma divisão no Grupo da América Latina e do Caribe (Grulac), que normalmente firma acordos com antecedência para escolher seu candidato. O Conselho de Segurança tem 15 integrantes, sendo que cinco deles são permanentes e têm direito a veto: Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia. Os outros dez integrantes ocupam assentos por mandatos de dois anos. Desse grupo, cinco são eleitos a cada ano. A maior parte das decisões no Conselho de Segurança, o mais poderoso da organização, é tomada pelos cinco membros permanentes, mas uma resolução só é aprovada se receber pelo menos nove votos e não pode ser vetada por nenhum dos membros permanentes. As votações relativas a outras regiões foram encerradas na segunda-feira e resultaram na eleição de África do Sul, Itália, Indonésia e Bélgica. Esses países deverão substituir Tanzânia, Japão, Dinamarca e Grécia. Os novos membros rotativos do Conselho deverão assumir suas cadeiras no órgão no dia 1º de janeiro. |
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