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Atualizado às: 19 de setembro, 2006 - 00h53 GMT (21h53 Brasília)
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Mecanismos da ONU são anacrônicos, diz Amorim

Celso Amorim
Amorim defende reforma do Conselho de Segurança da ONU
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acredita que a ONU é um projeto "atualíssimo", mas que os mecanismos da entidade são "anacrônicos".

Em entrevista à BBC Brasil, na sede das Nações Unidas, em Nova York, o ministro afirmou que "cada vez mais o mundo precisa de uma forma de governança internacional". Mas Amorim voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU. "É uma necessidade cada vez mais premente. O que vimos no Líbano mostra isso."

O chanceler usa o exemplo do conflito no Líbano para expor também o que considera ser as falhas da ONU. "A dificuldade do Conselho de Segurança operar mostra que ele precisa de uma reforma. Quando um homem como o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que em minha opinião tem feito um trabalho extraordinário, vai ao Líbano e é vaiado, é um sinal de que nossa instituição está muito ruim e precisa ser reformada."

O ministro das Relações Exteriores viajou a Nova York para a 61ª Assembléia-Geral da ONU, cujo discurso de abertura será realizado nesta terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem frustrações

O ministro afirmou que não se sente frustrado de que o Brasil ainda não tenha obtido um assento no Conselho de Segurança da ONU, meta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido desde o início de seu mandato.

"Não acho que seja frustrante. É claro que se perguntassem se eu gostaria que já tivesse acontecido, eu diria que sim, mas essas coisas levam tempo. Isso tem a ver com o curso da história. Não é como ser candidato a uma eleição ou disputar um campeonato de futebol. Roma não foi construída em um dia. E uma ONU justa também não será construída em um dia."

No ano passado, o chanceler chegou a comentar que acreditava que a reforma da instituição provavelmente aconteceria ainda em 2005 - ano em que a ONU celebrou 60 anos de existência.

"Claro que houve um momento especial, que foi o momento dos 60 anos da ONU. Talvez até porque houve um relatório do secretário-geral (defendendo a reforma). Mas acho que os movimentos que foram feitos naquela época geraram uma continuidade. É claro que mudar a composição do Conselho não é uma panacéia. Muitas outras coisas precisam ser feitas."

Mesmo que a reforma ainda não tenha saído, Amorim considera que o processo nesse sentido passou por "um amadurecimento razoável".

Discurso na ONU

O presidente Lula fará o discurso de abertura da assembléia da ONU às 11h do horário local (12h, horário de Brasíla). Segundo Celso Amorim, em seu pronunciamento, o presidente deverá tratar de "um tema que é muito caro a ele. A necessidade da cooperação internacional no combate à fome e à pobreza".

De acrodo com ministro, o presidente "tem colocado muita ênfase na necessidade que líderes políticos se envolvam diretamente em dar o apoio necessário para que a Rodada de Doha chege a uma conclusão".

O chanceler afirmou ainda que Lula deverá ainda abordar temas ligados à paz e à segurança.

Esta é a terceira vez que Lula participa da abertura da Assembléia-Geral da ONU.

Agenda

Na parte da tarde, ainda na ONU, Lula comparecerá a um encontro da Central Internacional de Compra de Medicamentos, que contará com a presença do presidente da França, Jacques Chirac, e do qual deve participar também o ex-presidente americano Bill Clinton.

A reunião irá tratar do projeto defendido por Lula e Chirac de esabelecer uma contribuição sobre bilhetes aéreos internacionais que seria destinada à aquisição de medicamentos para países em desenvolvimento.

Às 18h, o presidente participa de uma cerimônia na qual irá receber o título de Estadista do Ano, agraciado pela organização não-governamental Appeal of Conscience, que defende direitos humanos e liberdades religiosas.

Entre os que já receberam o prêmio no passado estão o primeiro-ministro da Austrália, John Howard, e o ex-premiê espanhol José Maria Aznar.

De acordo com o rabino Arthur Schneier, presidente da Appeal of Conscience, a entidade optou por Lula por ele haver dado conta dos "desafios políticos e econômicos do Brasil e por ter, com sua liderança, oferecido um exemplo construtivo para a América Latina e para o mundo em desenvolvimento".

A entidade afirma ainda que desde que tomou posse, em 2002, o presidente Lula "trouxe uma nova era de progresso ao país que é uma das mais antigas democracias mundiais e dedicou sua carreira à inclusão social e ao avanço socio-econômico do povo do Brasil, independentemente de raça, credo ou classe social".

Após permanecer pouco mais de 24 horas em Nova York, o presidente embarca à noite de volta para o Brasil.

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