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Amorim vai ao Haiti na semana que vem | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, viaja na semana que vem ao Haiti, país onde o Brasil mantém 1.050 soldados e lidera a missão de estabilização da ONU (Minustah, na sigla em francês). "Preciso visitar o Haiti de vez em quando. Porque numa função com esta, que tem tantas demandas, às vezes você tem que ir num lugar para concentrar a atenção naquele assunto 24 horas naquele tema para sentir como as coisas estão", afirmou o ministro, em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Amorim deverá visitar ao país na volta de Nova York, onde participa da abertura dos trabalhos da Assembléia Geral da ONU. Antes disso, o chanceler estará em Cuba para a 13ª Cúpula do Grupo dos 15 e para a 14ª Conferência de Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados. Indagado sobre a perspectiva de retirada dos militares brasileiros, o ministro não quis fixar uma data. "Temos que discutir. Não há razão para o Brasil se eternizar. Mas também não há razão para deixar o trabalho quando ainda temos um papel importante para ajudar. O importante é criar as condições para que o Haiti não precise dessas tropas." O Conselho de Segurança da ONU renovou no último dia 16 de agosto a prorrogação por seis meses do mandato da missão de paz da organização no Haiti. Como o Brasil O chanceler também comentou a dificuldade da missão da ONU e da polícia haitiana em conter a violência no país, mesmo depois das eleições de janeiro que todos esperavam levar estabilidade ao Haiti. O ministro disse que o problema no país é "histórico" e comparou a situação com o que ocorre no Brasil. "A violência no Haiti decorre da miséria, há uma violência endêmica, que existe até em certas partes do Brasil", afirmou o ministro. "É um problema histórico que vai ser resolvido com o desenvolvimento do Haiti e acho muito importante que a comunidade internacional preste atenção a isto." Para Amorim, a criminalidade no Haiti se mistura à violência política e nesse sentido ele acredita que o Brasil desempenhou um papel "muito importante" nas eleições. "Agora precisamos progressivamente tratar que os próprios haitianos assumam a própria segurança. Mas isso exige formação. Temos que contribuir para a formação do sistema judicial. O Brasil está pronto a contribuir." Na avaliação do ministro, o maior risco é que a comunidade internacional abandone o Haiti quando os problemas mais graves forem superados. "Isso nós não gostaríamos que acontecesse. Mas por ter estado no Haiti, por continuar no Haiti com um papel importante, inclusive com o comando das forças, nós temos mais autoridade moral para exigir que isso ocorra." O ministro, que nesta entrevista mostrou-se disposto a continuar no cargo num eventual segundo mandato do presidente Lula, diz não antecipar mudanças na política brasileira para o Haiti. "Não acho que haverá mudanças na política brasileira, mas vamos decidir coisas como dar mais ênfase a projetos de cooperação, como de combate a fome, merenda escolar, vamos dar mais ênfase num projeto que ajuda a política haitiana, o judiciário haitiano, vamos fazer junto com outros países da América do Sul, ou da ONU. Estas questões só estando lá é que pode saber." |
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