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Atualizado às: 12 de setembro, 2006 - 09h12 GMT (06h12 Brasília)
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Índia deve buscar apoio do Brasil a programa nuclear

Bush e Singh
Acordo nuclear entre Bush e Singh foi assinado em março
A questão nuclear deve estar entre os assuntos discutidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, durante a primeira visita de um chefe de governo indiano ao Brasil desde 1968.

A Índia deve buscar o apoio do Brasil dentro do Grupo de Supridores Nucleares (NSG na sigla em inglês), organização de países que têm como objetivo prevenir a proliferação de armas nucleares por meio de controles de exportação de materiais e tecnologia. A entidade – presidida pelo Brasil até 2007 – estimula o uso apenas pacífico da tecnologia.

Em março, Índia e Estados Unidos assinaram um acordo que permite que os indianos tenham acesso à tecnologia nuclear civil norte-americana. Para que o acordo possa entrar em vigor, é preciso que ele seja aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos e que suas regras de intercâmbio sejam aceitas pelo NSG.

A aprovação no NSG requer o consenso dos 44 países supridores nucleares e deve começar a ser discutida em outubro no órgão. A Índia não é signatária do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o que tem prejudicado sua causa junto ao Congresso americano e ao NSG.

Ressentimento

Em declaração ao jornal The Times of India, na semana passada, o secretário das Relações Exteriores, Shyam Saran, disse acreditar que o Brasil "vai continuar a desempenhar um papel favorável" à Índia no NSG.

No entanto, de acordo com o especialista indiano em pesquisas nucleares Bharat Karnad, professor do Centro de Pesquisa em Políticas de Nova Délhi, pode haver restrições por parte do Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que ainda há um certo “ressentimento” do governo brasileiro em relação a privilégios que o programa nuclear indiano tem recebido.

 O governo indiano provavelmente não vai pedir apoio entusiasmado do Brasil à sua causa, mas que, no mínimo, o governo brasileiro não se mostre ativamente contra
Bharat Karnad, especialista indiano em assuntos nucleares

“O Brasil cedeu às pressões e assinou o TNP nos anos 90, abandonando qualquer possibilidade de desenvolver armas nucleares. Agora a Índia, que não cedeu, recebe privilégios na forma de um acordo com os Estados Unidos”, disse Karnad.

“O governo indiano provavelmente não vai pedir apoio entusiasmado do Brasil à sua causa, mas que, no mínimo, o governo brasileiro não se mostre ativamente contra.”

Aproximação

Já o físico brasileiro Rogério Cézar Cerqueira Leite, professor emérito da Unicamp, acredita que o governo brasileiro vai cooperar com a Índia no NSG, devido a uma identificação entre as políticas dos dois países.

“Nenhuma posição foi formalizada pelo governo até agora, mas conhecendo as pessoas que influem na política externa brasileira, acredito que o Brasil vai se aproximar da Índia na questão”, disse.

O ex-secretário de Relações Exteriores da Índia Salman Haider (1995-97) acredita que a formação do Fórum de Diálogo Trilateral Índia-Brasil-África do Sul (conhecido como Ibas ou G3), em 2003 em Brasília, contribui para que os países cheguem a acordos comuns na área de segurança, entre elas, na questão nuclear.

“A questão nuclear não é a mais importante da visita de Singh. O apoio do NSG deve ser apenas discutido de forma preliminar, pois o acordo (com os Estados Unidos) ainda precisa ser aprovado no Congresso americano”, diz Haider.

“O principal deve ser a cooperação dos países em foros multilaterais, bem como questões comerciais.”

Na pauta oficial do encontro entre Lula e Singh, na terça-feira, estão assuntos da pauta internacional e regional e coordenação de posição em foros multilaterais, sobretudo nas Nações Unidas (ONU) e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Está prevista a assinatura de atos bilaterais e discussões sobre tecnologia, agricultura, turismo, energia e transportes, entre outros assuntos.

Na quarta-feira, os dois chefes de Estado participam junto com o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, da primeira reunião de cúpula do Fórum do Ibas, em Brasília.

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