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Setor quer transparência de programa nuclear do Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Especialistas em energia nuclear consideram a transparência o componente mais importante para que o programa nuclear brasileiro, com enriquecimento de urânio, seja aceito pela comunidade internacional. Para o pesquisador do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais, em Washington, Jon Wolfsthal, o Brasil tem uma "história única", em comparação com outros países que produzem energia nuclear. Ele se refere à declaração do ex-presidente José Sarney, em agosto do ano passado, de que o governo brasileiro planejou a construção de uma bomba atômica durante o governo militar. "O Brasil tem uma história única. Por isso precisa agir de forma muito transparente e permitir as inspeções das agências internacionais", diz Wolfsthal, que é especialista em antiproliferação de armas nucleares. "Os países têm direito a ter energia nuclear para fins pacíficos. Alguns países, como o Irã, achamos que não estão sendo honestos e estão escondendo programas de armas nucleares", afirma. "Outros, como a Coréia do Sul ou a Alemanha, acreditamos que não estão interessados numa bomba e são seguros." A avaliação é corroborada pelo diretor de novas instalações do Instituto de Energia Nuclear, Adrian Heymer. Ele concorda que a transparência é que vai determinar a aceitação da comunidade internacional ao programa brasileiro. "Programas nucleares para fins pacíficos são aceitos sem problema, desde que o país aja de forma transparente", afirma. O Brasil está prestes a começar seu programa de enriquecimento de urânio na fábrica de Resende (RJ). A necessidade de enriquecer urânio no país em vez de importar, segundo o especialista americano, só se justifica economicamente se o país tiver um número elevado de usinas. Jon Wolfsthal diz que o argumento brasileiro, de que precisa proteger segredos comerciais, precisa ser equilibrado com a necessidade do país de deixar claro para a comunidade internacional que não tem nada esconder. Polêmica Em 2004, o Brasil se envolveu numa polêmica com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre a extensão das inspeções na fábrica de enriquecimento de urânio de Resende. Os Estados Unidos acusaram o Brasil de não permitir o acesso total dos inspetores, e o governo brasileiro argumentou que precisava proteger segredos tecnológicos. "É preciso ser mais sensível às preocupações internacionais sobre seu programa. E reconhecer que todo mundo vai ficar de olho no que o Brasil vai fazer", diz Wolfsthal. "Não vai haver uma grande preocupação internacional em relação ao Brasil. Mas vão acontecer comentários ocasionais, e haverá um interesse maior, por causa do histórico", afirma. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Diversificação exige mais usinas nucleares, diz especialista20 março, 2006 | BBC Report Ministro quer construção de sete usinas nucleares07 março, 2006 | BBC Report Palocci diz que prefere energia hidrelétrica à nuclear08 março, 2006 | BBC Report Lula diz não haver decisão sobre expansão nuclear09 março, 2006 | BBC Report Saiba mais sobre a crise nuclear com o Irã10 janeiro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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