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Alckmin ataca corrupção; Lula reage com ironia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O terceiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, realizado pela Rede Record na noite de segunda-feira, teve como principais destaques a retomada de um tom mais agressivo pelo candidato Geraldo Alckmin e a reação irônica do presidente Lula. Em posição de desvantagem nas últimas pesquisas eleitorais, Alckmin buscou um meio termo entre o elevado nível de agressividade que apresentou no primeiro debate, realizado pela Rede Bandeirantes, e a moderação do segundo, organizado pelo SBT. Durante os cinco blocos do programa, o candidato do PSDB insistiu em perguntas e críticas ao presidente relacionadas aos escandâlos de corrupção que envolveram funcionários do governo e companheiros de Lula no PT. “O presidente é incapaz de ter uma conversa sobre a questão política e ética, na qual ele é absolutamente superado pelos fatos”, disse, ao final do debate, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha de Alckmin. Já Lula, candidato à reeleição pelo PT, procurou destacar indicadores positivos de seu governo e utilizou ironias para se referir indiretamente à posição incômoda de Alckmin nas pesquisas e para rebater as críticas do candidato tucano. “A ironia faz parte de um modo inclusive afável de se relacionar com as pessoas”, comentou Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha de Lula. “Mas não acredito que tenha sido desrespeitoso. E acho que a percepção do público foi essa. Bom humor não faz mal para ninguém.” Postura Na opinião do assessor de Lula, Alckmin voltou a abordar questões de forma “primitiva” e “beirou o ridículo” ao dizer que, se eleito, vai vender o avião da Presidência da República para construir hospitais. “Algumas barbaridades que o outro candidato disse suscitaram quase que espontaneamente alguma tirada irônica do presidente”, afirmou Marco Aurélio Garcia ao defender a postura adotada por Lula durante o debate. Para o coordenador da campanha do candidato tucano, no entanto, foram exatamente as ironias que representaram o principal aspecto negativo do desempenho do presidente. “Um dos pontos mais fracos do presidente Lula foi esse de fazer ironia, que é uma coisa que a população não gosta”, disse o senador Sérgio Guerra. “O presidente da República tem que falar sério e ser sério o tempo todo.” De acordo com Guerra, Lula dá mais importância à retórica do que aos argumentos e fica sem ter o que dizer quando é forçado a comentar denúncias de corrupção em seu governo. “Quando o candidato Alckmin disse que um defeito que ele não tinha era roubar, proteger os amigos, deixar de punir, não assumir responsabilidades, ele disse o que o Brasil quer ouvir”, afirmou o senador tucano. Política externa Enquanto Alckmin insistia em discutir o assunto corrupção, Lula tentava direcionar a agenda do debate para os programas sociais de seu governo e para as diferenças entre as propostas de política externa dos dois candidatos. Marco Aurélio Garcia, que também é assessor de assuntos internacionais do presidente, negou que a escolha do tema política externa tenha sido uma estratégia de Lula para o debate. “A política externa é um ponto forte do governo, mas também é um tema muito importante porque mexe com a soberania nacional”, disse. “Mas o que chamou a atenção foi a debilidade e desinformação de Alckmin em relação ao assunto.” “O presidente Lula é uma pessoa com inegável capacidade de comunicação”, rebateu o senador Sérgio Guerra. “Nesse caso da política externa, ele é capaz de fazer um discurso, de falar de afirmação brasileira, de capacidade de o Brasil ter um papel internacional. Mas isso tudo são palavras que não se confirmam nos fatos.” Ao final do debate, Lula fez uma rápida avaliação do debate em entrevista à TV Record, mas deixou os estúdios da emissora em seguida, sem falar com o restante da imprensa. “Só posso dizer que vim para o debate e cumpri as regras do jogo”, disse o presidente à Record. “Mais uma vez, foi um debate civilizado, um debate democrático.” Já Alckmin permaneceu no local por mais alguns minutos. O candidato do PSDB voltou a afirmar que os dois candidatos representam “visões diferentes” sobre o Brasil e disse ter “absoluta confiança” em suas chances de reverter a vantagem de Lula. “Essa semana é uma semana decisiva. Nossa diferença não é tão grande. As grandes movimentações de opinião pública ocorrem agora”, disse o ex-governador de São Paulo. “Agora, nessa semana, é que nós vamos ter realmente a definição dos votos.” Antes das eleições do próximo domingo, Lula e Alckmin voltam a se encontrar em um novo debate, que será realizado pela Rede Globo, no Rio de Janeiro, na próxima sexta-feira. |
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