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Privatizações de FHC foram 'corretas', diz Alckmin | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Leia abaixo a segunda parte das respostas do candidato à Presidência Geraldo Alckmin às perguntas enviadas por internautas da BBC Brasil. As perguntas apresentadas a Alckmin foram selecionadas pela BBC Brasil a partir de mais de 550 mensagens enviadas por internautas entre os dias 9 e 14 de outubro. As questões selecionadas foram enviadas aos assessores do candidato na semana seguinte. Confira abaixo as outras respostas de Alckmin: As privatizações idealizadas pelo PSDB e efetivadas durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram um bom negócio para o país? (enviada por Roberto, de Curitiba-PR) Alckmin - As privatizações realizadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso foram corretas. A Embraer, por exemplo, estava falida. Hoje é um orgulho nacional. O mesmo ocorreu com a Vale do Rio Doce. Mas, o exemplo mais significativo é do setor de telecomunicações. Antes da privatização, os brasileiros esperavam anos para conseguir um telefone das concessionárias estatais. No mercado paralelo, uma linha chegava a custar mais de US$ 3 mil. Hoje, graças a um investimento privado de US$ 100 bilhões, temos mais de 90 milhões de celulares, sem falar nos telefones fixos. Como o senhor vai resolver o problema da violência no Brasil? (enviada por Valdomiro Filho, de Lisboa, Portugal) Alckmin - A violência é hoje um fenômeno que atinge as principais cidades brasileiras, não se limita a um Estado ou região. Por ser um problema nacional, o presidente da República precisa assumir pessoalmente a responsabilidade de enfrentar a criminalidade. Eu não serei omisso. É necessário unir o país em torno desta batalha, assumir a liderança e ajudar as polícias estaduais, a quem cabe a função de dar combate direto ao crime e violência da rua, bairros e casa, que atinge o cotidiano do cidadão. Para isto o Governo Federal deverá alocar recursos necessários para ajudar os Estados a modernizar, equipar e treinar as forças policiais; também vamos promover integração operacional do trabalho das polícias para pôr fim ao crime organizado no Brasil. Vou propor a revisão de toda a legislação, da Lei de Execução Penal e do Código Penal. Nossas leis são muito duras com o pequeno criminoso e leniente com as questões do crime organizado. Vou criar a Polícia Federal fardada para policiar as fronteiras; para combater o tráfico de drogas e o contrabando de armas. Também vou promover a integração da Receita Federal e do Banco Central em ações contra a lavagem de dinheiro, que é fator de alimentação tanto do crime organizado como da corrupção. E vamos criar programas integrados de prevenção em áreas de alta criminalidade, para tirar os jovens das mãos dos bandidos e resgatar as crianças antes que virem vitimas do crime organizado. Por que mais de 60 CPIs contra o seu governo no Estado de São Paulo foram engavetadas? O senhor pretende fazer o mesmo caso venha a ser presidente? (enviada por Walter Teixeira de Almeida, do Rio de Janeiro-RJ) Alckmin - Não houve qualquer ato deliberado de minha parte para barrar qualquer tipo de investigação. O meu governo em São Paulo foi absolutamente transparente. Acontece que a maioria das CPIs não tinha relação com o governo do Estado. Os assuntos eram os mais variados. Era CPI do apito, CPI do Ibope, CPI de juiz de futebol. Ao final de uma gestão de quase 12 anos, o nosso governo teve uma aprovação de 69% de ótimo e bom. Qual sua proposta para a reforma política? Qual sua posição quanto à reeleição? O senhor é a favor do voto distrital? (enviada por Túlio Cunha, de Uberlândia-MG) Alckmin - Vamos começar pela fidelidade partidária e o voto distrital. Atualmente, o sistema proporcional encarece demais as campanhas. Em um Estado como São Paulo, por exemplo, que tem 645 municípios, o candidato a deputado tem de fazer campanha em várias cidades. Para ser eleito, tem de gastar muito dinheiro, o que favorece o abuso econômico ou as corporações. Hoje temos no Congresso a representação de várias corporações. Não estou falando que os interesses corporativos não são legítimos, mas, na maioria das vezes, eles vão de encontro aos interesses do conjunto da sociedade. Eu fui eleito deputado três vezes. Representava a dona de casa, o empresário, os estudantes, os professores da minha região. Com relação à reeleição, vou trabalhar para acabar com a reeleição para presidente. Hoje temos uma verdadeira confusão entre governo e campanha. Ministro dá declarações de campanha, abuso no uso da máquina pública, uma promiscuidade. Eu fui reeleito e digo: reeleição tende a ser mais do mesmo. Quem não fez em quatro anos não fará em um segundo mandato, que costuma ser muito mais difícil. Sem maioria absoluta no Congresso, como o senhor fará para aprovar as reformas que o Brasil precisa? (enviada por Régis Miranda, de Goiânia-GO) Alckmin - Acredito que o Brasil pode ir melhor nos próximos quatro anos, com um time novo, nova equipe, com a legitimidade das urnas. Vou encaminhar as reformas estruturantes logo no início do governo. Já em janeiro, antes da abertura do Congresso, vou encaminhar duas reformas fundamentais: a política e a tributária. A primeira para estabelecer a fidelidade partidária e o voto distrital. Já temos a cláusula de desempenho, que vai reduzir o número de partidos com representação no Congresso, com a fidelidade partidária, vamos melhorar bem a governabilidade. Vamos começar a reforma tributária com a unificação da legislação do ICMS. A nossa relação com o Congresso será institucional, de respeito a outro Poder. Veja o que foi o Mensalão: é um poder subjugando outro. Isso não pode. Caso o candidato Lula seja reeleito ― o que felizmente não ocorrerá ―, o novo governo acaba antes de começar. No dia seguinte à posse, já vão começar a discutir a eleição de 2010. Se não fizeram as reformas no primeiro mandato, o que indica que farão em um segundo mandato? O Brasil vai perder mais quatro anos. Qual vai ser a politica externa de seu governo em relação à Venezuela? (enviada por Valdeci Elias, de Paulista-PE) Alckmin - Vamos ampliar o relacionamento com todos os países da América do Sul, com base na reciprocidade de interesses e na defesa de nosso interesse nacional. A Venezuela, o quarto maior exportador mundial de petróleo, acaba de entrar para o Mercosul. Isso será um grande desafio para o processo de integração. Sua entrada plena depende da ratificação do Protocolo de Adesão, que será examinado pelo Congresso Nacional somente no ano próximo. O senhor concorda com o Prouni? Qual será o destino desse programa em seu governo? (enviada por Tiago Sardinha, de Goiânia-GO) Alckmin - A proposta do programa é boa. Vamos expandi-lo para os segmentos mais pobres da população. No entanto, seremos rigorosos na sua execução. Vamos melhorá-lo, vamos selecionar adequadamente as instituições para assegurar aos bolsistas uma boa formação, vamos estabelecer convênios para que os bolsistas possam fazer estágios, ter treinamento no mercado; vamos focar melhor na população que realmente precisa. Os afro-brasileiros são os mais pobres, segundo todos os índices socioeconômicos. O que fazer para combater este problema? Como tratar a inclusão do negro na universidade? Como encaminhar o Estatuto da Igualdade racial? (enviada por frei David Santos, de São Paulo-SP) Alckmin - O primeiro passo foi dado no governo do PSDB, que criou a Secretaria de Direitos Humanos e lançou os programas de afirmação dos grupos sociais excluídos e discriminados. Para a inclusão do negro na universidade, no Estado de São Paulo, criei a pontuação acrescida para alunos da escola pública e afro-brasileiros. Assim, sem eliminar o mérito, este sistema tem ajudado muito a ampliação do acesso à universidade. |
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