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Tarso Genro ironiza eleitorado 'conservador' do PSOL | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, ironizou a postura da senadora Heloísa Helena ao comentar a possibilidade de que eleitores que votaram na candidata do PSOL no primeiro turno das eleições presidenciais optem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. "O pessoal vinculado ao PSOL irá fatalmente se dividir", afirmou o ministro em entrevista à BBC Brasil. "Tem um eleitorado do PSOL que é conservador, udenista, a partir da visão colocada pela Heloísa Helena na campanha. Mas nós teremos uma grande parte da votação dela." O comentário de Tarso soa como uma reação à decisão de Heloísa Helena de não aceitar sequer discutir a possibilidade de apoio a Lula ou ao candidato tucano Geraldo Alckmin no segundo turno. A senadora do PSOL, terceira candidata mais votada no primeiro turno das eleições presidenciais, chegou a proibir que os filiados de seu partido fizessem qualquer manifestação pública a favor de Lula ou Alckmin. Expulsa do PT em 2003 por se recusar a acatar orientações do partido de apoio ao governo Lula, Heloísa Helena fez durante a campanha do primeiro turno duros ataques ao presidente, a quem atribui responsabilidade pelos escândalos que atingiram importantes ministros petistas. Cristovam Diante da oposição irredutível de Heloísa Helena, Tarso Genro demonstra confiar mais na possibilidade de Lula conquistar o apoio do senador Cristovam Buarque, que disputou o primeiro turno das eleições presidenciais como candidato do PDT. "Claro que gostaríamos de ter o apoio do Cristovam Buarque, até porque ele foi ministro do Lula e conhece bem os objetivos que nos unificam como também sabe separar as nossas divergências", afirmou Tarso. "Considerando o Cristovam uma pessoa coerente, me parece difícil, até meio impossível, ele apoiar Alckmin", acrescentou. Depois das eleições, o ministro avalia que tanto Lula como Alckmin não terão problemas para conseguir apoio suficiente no Congresso para aprovar projetos. Na opinião de Tarso, mesmo se a reforma política defendida pelos dois candidatos demorar para ser aprovada, o vencedor da eleição do próximo dia 29 contará com as condições necessárias para governar o país. "O Brasil tem uma tradição de acordos pontuais para aprovar reformas, e é isso que vai ocorrer se a reforma política não for feita", diz o ministro. "Qualquer presidente vai ter governabilidade porque o Brasil já é um país maduro em termos de democracia." Concertação O ministro das Relações Institucionais também voltou a defender a idéia de que o presidente da República nos próximos quatro anos convoque todas as forças políticas democráticas do país para um debate amplo sobre o sistema político brasileiro e o processo de votação e elaboração do Orçamento da União. "Esses dois temas, seja quem for o presidente da República, têm que ser discutidos por todas as forças políticas responsáveis, sejam elas de esquerda, de direita, de centro, desde que sejam democráticas", afirma. Para Tarso, os três ex-presidentes que cumpriram seus mandatos até o fim (José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso) teriam um papel importante nesse processo de "concertação política". "Quando se fala em concertação, não se está falando em diluição programática e nem conciliação de princípios", avalia o ministro. "Está se falando em resolver problemas que são do interesse de todos os democratas e de todos os partidos políticos democráticos do país." "Se for uma opção de algum presidente em determinado momento dizer que não vai colaborar para debater esse tema, esse é um direito que ele tem", acrescentou Tarso. "Mas isso vai demonstrar perante a sociedade brasileira a falta de seriedade que ele tem para tratar do futuro da democracia do país." Fernando Henrique Na semana passada, em entrevista à BBC, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que "não há uma crise institucional no Brasil" que justifique a "concertação política" proposta por Tarso. "Sempre vem essa idéia nos momentos de dificuldade: 'vamos chamar todos juntos'. Por que não foi feito isso em 2003?", indagou Fernando Henrique. O ministro das Relações Institucionais, no entanto, culpa o comportamento do ex-presidente ao responder por que Lula e Fernando Henrique não se reuniram nos últimos anos para discutir os problemas do país. "Durante todo esse período, ele (Fernando Henrique) se comportou mais como um presidente despeitado, na oposição", critica Tarso. "Não teve uma posição de magistratura presidencial, mas sim de um líder oposicionista, e isso não proporcionou um encontro dessa natureza." |
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