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Atualizado às: 23 de outubro, 2006 - 22h06 GMT (19h06 Brasília)
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Alckmin defende câmbio em patamar 'mais apropriado'
O candidato Geraldo Alckmin
Candidato respondeu às perguntas de internautas da BBC Brasil
O ex-governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência pelo PSDB, afirmou, em resposta a perguntas de internautas da BBC Brasil, que é preciso mudar a política monetária do atual governo para que os juros e o câmbio sejam 'consistentes com o objetivo de crescimento'.

Na opinião do candidato tucano, a desvalorização "artificial" do dólar quebrou diversas indústrias no Brasil. Alckmin diz, no entanto, que não é "conveniente e nem necessário" fazer intervenções abruptas no mercado de câmbio.

"O ajuste da política econômica e a gestão da flutuação do câmbio, que os economistas chamam de flutuação controlada, são suficientes para alinhar o câmbio em patamar mais apropriado", avalia o candidato.

O ex-governador de São Paulo também não poupou críticas ao governo do presidente Lula. "O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo", afirmou. "Esse é o maior programa de concentração de renda do mundo: o Bolsa Banqueiro."

As perguntas apresentadas a Alckmin foram selecionadas pela BBC Brasil a partir de mais de 550 mensagens enviadas por internautas entre os dias 9 e 14 de outubro. As questões selecionadas foram enviadas aos assessores do candidato na semana seguinte.

Leia abaixo as respostas de Alckmin:

O senhor disse que pretende aperfeiçoar o regime de câmbio flutuante. Como será esse aperfeiçoamento? Por que não desvalorizar o real para que as indústrias possam exportar mais? (pergunta enviada por Eudes Amorim, do Rio de Janeiro-RJ, e Carlos Neves, de Maceió-AL)

Geraldo Alckmin - A política monetária do governo Lula é muito dura. O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. O país gastou, no ano passado, R$ 156 bilhões de pagamento de juros. Esse é o maior programa de concentração de renda do mundo: O Bolsa Banqueiro. Os bancos tiveram o maior lucro dos últimos tempos. Além disso, tem o superávit comercial, que é resultado da elevação dos preços de várias commodities, em função do forte crescimento da China, e das baixas importações, característica de uma economia que praticamente não cresce. Isso traz uma enxurrada de dólares ao país. Como é que uma empresa consegue ter eficiência para poder superar uma diferença cambial de um terço? Impossível. Isso quebrou indústrias de sapatos, de roupas, de brinquedos, de móveis, de cerâmica. A China está montando oito zonas de exportação de automóvel para o mundo. Como é que se vai competir com uma desvalorização artificial do dólar nesse montante?

 Com uma política fiscal rigorosa, vamos abrir espaço para levar adiante uma reforma tributária que amenize o ônus sobre o setor produtivo.

Temos que mudar toda a política econômica para que os chamados sinais macroeconômicos, em particular os juros e o câmbio, sejam consistentes com o objetivo de crescimento. Não é conveniente e nem necessário fazer intervenções abruptas no mercado de câmbio; o ajuste da política econômica e a gestão da flutuação do câmbio, que os economistas chamam de flutuação controlada, são suficientes para alinhar o câmbio em patamar mais apropriado.

O senhor fala muito em choque de gestão e cortar gastos. E como ficam os servidores públicos? O senhor vai fazer isso demitindo servidores? (enviada por Carlos Lobo Junior, de Curitiba-PR)

Alckmin - Vou cortar gastos do governo, mas não vou demitir funcionários públicos. Esse é apenas mais um boato lançado pelo meu adversário. O nosso governo vai valorizar o funcionalismo público, os servidores de carreira, os que entraram legitimamente por meio de concursos. A marca do nosso governo será o da eficiência no serviço público. O Brasil regrediu sob o ponto de vista de gestão pública, do conceito de bem comum.

Qual a sua proposta para redução da carga tributária, que é uma das maiores no mundo? Como o presidente eleito fará para reduzir a dívida pública e ao mesmo tempo aliviar a carga de impostos? (enviada por Haroldo Figueiredo, de Óbidos-PA, e Adilson Seiberth Neumann, de Petrópolis - RJ)

Alckmin - De fato, um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social do país é a elevada carga tributária, que desestimula investimentos. O mais grave é que ela não pára de crescer. No governo Lula, chegou a quase 40% do PIB. Se você pegar os países emergentes, Argentina, Chile, Venezuela, México, todos têm menos de 30% do PIB de carga tributária. No meu governo vamos trabalhar para reduzir o peso dos impostos. Como fazer isso? Com um rigoroso controle dos gastos públicos. Vamos cortar gastos correntes, acabar com o desperdício e eliminar a praga da corrupção. Com uma política fiscal rigorosa, vamos abrir espaço para levar adiante uma reforma tributária que amenize o ônus sobre o setor produtivo. Um dos primeiros passos será a unificação da lei do ICMS, com cinco alíquotas. Isso também vai fazer com que a relação dívida PIB caia. Em São Paulo, como governador, reduzi os impostos de mais de 200 produtos e serviços. Economizamos cerca de R$ 4 bilhões em três anos e meio com o Pregão Eletrônico. O resultado é que, mesmo com a queda dos impostos, o Estado de São Paulo tem R$ 9 bilhões para investir neste ano. Um dos setores que darei uma atenção especial é o das micro e pequenas empresas.

O que o senhor pretende fazer para melhorar a renda do povo pobre deste país? Pretende continuar com os programas sociais que aí estão? O que o senhor vai fazer com o programa Bolsa Família? (enviada por Lucas Ferreira, de Patrocínio-MG, e Lidiane, de Fortaleza-CE)

Alckmin - Ao contrário dos boatos que o PT e membros do governo espalham pela sociedade, vou manter e melhorar os programas sociais, principalmente o Bolsa Família. Na verdade, o Bolsa Família é criação nossa. O presidente Lula juntou os programas que já existiam quando assumiu o governo – Vale Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação – e deu o nome de Bolsa Família. Nós vamos manter e vamos aperfeiçoar o Bolsa Família, porque tem gente que precisa e ainda não recebe o benefício. No entanto, as pessoas precisam de emprego e renda para melhorarem de vida. Para isso, o Brasil precisa voltar a crescer. E, para crescer, o país precisa ajustar a atual política econômica, reduzir os juros excessivamente elevados, a carga tributária que onera a produção e as famílias e os gastos governamentais, que além de excessivos são ineficientes. Sem crescimento não há criação de emprego e nem de oportunidades, a sociedade perde dinamismo e não é possível melhorar, de forma sustentável, a situação do povo pobre. Portanto, minha principal receita para combater a pobreza é recolocar o Brasil no trilho do crescimento econômico acelerado e ao mesmo tempo atuar para remover os fatores que excluem parte da população dos benefícios do crescimento, desde a falta de qualificação profissional até dificuldades de natureza burocrática, como falta de documentação e acesso à informação.

Será necessário ampliar a idade mínima de aposentadoria para equilibrar as contas da Previdência? (enviada por Túlio Cunha, de Uberlândia-MG)

Alckmin - Não é o que proponho. A idade mínima seria uma injustiça justamente com os trabalhadores mais pobres, que geralmente têm menor expectativa de vida.

 Não vejo como as negociações (da Alca) possam ser reavivadas.

Em vez disso, defendo uma regra de aposentadoria que respeite a liberdade de escolha das pessoas, mantendo-se a condição de que o valor seja o justificado pelo tempo de contribuição e pelo montante que a pessoa contribuiu para a Previdência. Assim, quem se aposentar com mais idade e mais tempo de contribuição deverá receber uma aposentadoria maior.

Qual a sua postura em relação à Alca? (enviada por Walter Teixeira de Almeida, do Rio de Janeiro-RJ)

Alckmin - Os Estados Unidos se desinteressaram pelo processo de integração hemisférica e estão implementando uma política de acordos de livre comércio bilaterais, como os assinados com o Chile, a Colômbia e o Peru. Devemos reconhecer a dificuldade de levar adiante a proposta de criação da Alca, nos termos em que está colocada hoje. A Alca não interessa hoje nem aos Estados Unidos e nem ao Brasil. Os Estados Unidos, devido ao protecionismo dominante no Congresso americano, dificilmente aprovariam um acordo de livre comércio com o Brasil, que tem uma grande competitividade no setor agroindustrial. Não vejo como as negociações possam ser reavivadas. Por isso, logo no início de meu governo, vamos propor o aprofundamento dos acordos bilaterais de comércio com todos os países da América do Sul e vamos apresentar novas formas de cooperação comercial com os Estados Unidos, inclusive com acordos bilaterais setoriais.

Quais seriam as metas de seu governo para o setor de fontes de energia alternativa? (enviada por Angelo Lira, de Campinas-SP)

Alckmin - A grande fonte de energia alternativa que temos é a água, que está sendo abandonada. Nosso programa prevê a definição de um plano estratégico de avaliação ambiental para agilizar a aprovação de novas usinas, sem abrir mão do necessário rigor em relação ao meio ambiente. Em relação a novas fontes de energia, vamos investir em pesquisa tecnológica para viabilizar a produção economicamente viável da bioenenergia, utilizando as várias fontes que temos, da cana à mamona e soja; teremos um programa consistente de energia solar e eólica, para estimular as pesquisas, a identificação de áreas com potencial para a utilização comercial destas fontes.

O candidato Geraldo AlckminAlckmin responde
Leia a 2ª parte das respostas de Alckmin à BBC Brasil.
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