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Alckmin defende câmbio em patamar 'mais apropriado' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência pelo PSDB, afirmou, em resposta a perguntas de internautas da BBC Brasil, que é preciso mudar a política monetária do atual governo para que os juros e o câmbio sejam 'consistentes com o objetivo de crescimento'. Na opinião do candidato tucano, a desvalorização "artificial" do dólar quebrou diversas indústrias no Brasil. Alckmin diz, no entanto, que não é "conveniente e nem necessário" fazer intervenções abruptas no mercado de câmbio. "O ajuste da política econômica e a gestão da flutuação do câmbio, que os economistas chamam de flutuação controlada, são suficientes para alinhar o câmbio em patamar mais apropriado", avalia o candidato. O ex-governador de São Paulo também não poupou críticas ao governo do presidente Lula. "O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo", afirmou. "Esse é o maior programa de concentração de renda do mundo: o Bolsa Banqueiro." As perguntas apresentadas a Alckmin foram selecionadas pela BBC Brasil a partir de mais de 550 mensagens enviadas por internautas entre os dias 9 e 14 de outubro. As questões selecionadas foram enviadas aos assessores do candidato na semana seguinte. Leia abaixo as respostas de Alckmin: O senhor disse que pretende aperfeiçoar o regime de câmbio flutuante. Como será esse aperfeiçoamento? Por que não desvalorizar o real para que as indústrias possam exportar mais? (pergunta enviada por Eudes Amorim, do Rio de Janeiro-RJ, e Carlos Neves, de Maceió-AL) Geraldo Alckmin - A política monetária do governo Lula é muito dura. O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. O país gastou, no ano passado, R$ 156 bilhões de pagamento de juros. Esse é o maior programa de concentração de renda do mundo: O Bolsa Banqueiro. Os bancos tiveram o maior lucro dos últimos tempos. Além disso, tem o superávit comercial, que é resultado da elevação dos preços de várias commodities, em função do forte crescimento da China, e das baixas importações, característica de uma economia que praticamente não cresce. Isso traz uma enxurrada de dólares ao país. Como é que uma empresa consegue ter eficiência para poder superar uma diferença cambial de um terço? Impossível. Isso quebrou indústrias de sapatos, de roupas, de brinquedos, de móveis, de cerâmica. A China está montando oito zonas de exportação de automóvel para o mundo. Como é que se vai competir com uma desvalorização artificial do dólar nesse montante? Temos que mudar toda a política econômica para que os chamados sinais macroeconômicos, em particular os juros e o câmbio, sejam consistentes com o objetivo de crescimento. Não é conveniente e nem necessário fazer intervenções abruptas no mercado de câmbio; o ajuste da política econômica e a gestão da flutuação do câmbio, que os economistas chamam de flutuação controlada, são suficientes para alinhar o câmbio em patamar mais apropriado. O senhor fala muito em choque de gestão e cortar gastos. E como ficam os servidores públicos? O senhor vai fazer isso demitindo servidores? (enviada por Carlos Lobo Junior, de Curitiba-PR) Alckmin - Vou cortar gastos do governo, mas não vou demitir funcionários públicos. Esse é apenas mais um boato lançado pelo meu adversário. O nosso governo vai valorizar o funcionalismo público, os servidores de carreira, os que entraram legitimamente por meio de concursos. A marca do nosso governo será o da eficiência no serviço público. O Brasil regrediu sob o ponto de vista de gestão pública, do conceito de bem comum. Qual a sua proposta para redução da carga tributária, que é uma das maiores no mundo? Como o presidente eleito fará para reduzir a dívida pública e ao mesmo tempo aliviar a carga de impostos? (enviada por Haroldo Figueiredo, de Óbidos-PA, e Adilson Seiberth Neumann, de Petrópolis - RJ) Alckmin - De fato, um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social do país é a elevada carga tributária, que desestimula investimentos. O mais grave é que ela não pára de crescer. No governo Lula, chegou a quase 40% do PIB. Se você pegar os países emergentes, Argentina, Chile, Venezuela, México, todos têm menos de 30% do PIB de carga tributária. No meu governo vamos trabalhar para reduzir o peso dos impostos. Como fazer isso? Com um rigoroso controle dos gastos públicos. Vamos cortar gastos correntes, acabar com o desperdício e eliminar a praga da corrupção. Com uma política fiscal rigorosa, vamos abrir espaço para levar adiante uma reforma tributária que amenize o ônus sobre o setor produtivo. Um dos primeiros passos será a unificação da lei do ICMS, com cinco alíquotas. Isso também vai fazer com que a relação dívida PIB caia. Em São Paulo, como governador, reduzi os impostos de mais de 200 produtos e serviços. Economizamos cerca de R$ 4 bilhões em três anos e meio com o Pregão Eletrônico. O resultado é que, mesmo com a queda dos impostos, o Estado de São Paulo tem R$ 9 bilhões para investir neste ano. Um dos setores que darei uma atenção especial é o das micro e pequenas empresas. O que o senhor pretende fazer para melhorar a renda do povo pobre deste país? Pretende continuar com os programas sociais que aí estão? O que o senhor vai fazer com o programa Bolsa Família? (enviada por Lucas Ferreira, de Patrocínio-MG, e Lidiane, de Fortaleza-CE) Alckmin - Ao contrário dos boatos que o PT e membros do governo espalham pela sociedade, vou manter e melhorar os programas sociais, principalmente o Bolsa Família. Na verdade, o Bolsa Família é criação nossa. O presidente Lula juntou os programas que já existiam quando assumiu o governo – Vale Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação – e deu o nome de Bolsa Família. Nós vamos manter e vamos aperfeiçoar o Bolsa Família, porque tem gente que precisa e ainda não recebe o benefício. No entanto, as pessoas precisam de emprego e renda para melhorarem de vida. Para isso, o Brasil precisa voltar a crescer. E, para crescer, o país precisa ajustar a atual política econômica, reduzir os juros excessivamente elevados, a carga tributária que onera a produção e as famílias e os gastos governamentais, que além de excessivos são ineficientes. Sem crescimento não há criação de emprego e nem de oportunidades, a sociedade perde dinamismo e não é possível melhorar, de forma sustentável, a situação do povo pobre. Portanto, minha principal receita para combater a pobreza é recolocar o Brasil no trilho do crescimento econômico acelerado e ao mesmo tempo atuar para remover os fatores que excluem parte da população dos benefícios do crescimento, desde a falta de qualificação profissional até dificuldades de natureza burocrática, como falta de documentação e acesso à informação. Será necessário ampliar a idade mínima de aposentadoria para equilibrar as contas da Previdência? (enviada por Túlio Cunha, de Uberlândia-MG) Alckmin - Não é o que proponho. A idade mínima seria uma injustiça justamente com os trabalhadores mais pobres, que geralmente têm menor expectativa de vida. Em vez disso, defendo uma regra de aposentadoria que respeite a liberdade de escolha das pessoas, mantendo-se a condição de que o valor seja o justificado pelo tempo de contribuição e pelo montante que a pessoa contribuiu para a Previdência. Assim, quem se aposentar com mais idade e mais tempo de contribuição deverá receber uma aposentadoria maior. Qual a sua postura em relação à Alca? (enviada por Walter Teixeira de Almeida, do Rio de Janeiro-RJ) Alckmin - Os Estados Unidos se desinteressaram pelo processo de integração hemisférica e estão implementando uma política de acordos de livre comércio bilaterais, como os assinados com o Chile, a Colômbia e o Peru. Devemos reconhecer a dificuldade de levar adiante a proposta de criação da Alca, nos termos em que está colocada hoje. A Alca não interessa hoje nem aos Estados Unidos e nem ao Brasil. Os Estados Unidos, devido ao protecionismo dominante no Congresso americano, dificilmente aprovariam um acordo de livre comércio com o Brasil, que tem uma grande competitividade no setor agroindustrial. Não vejo como as negociações possam ser reavivadas. Por isso, logo no início de meu governo, vamos propor o aprofundamento dos acordos bilaterais de comércio com todos os países da América do Sul e vamos apresentar novas formas de cooperação comercial com os Estados Unidos, inclusive com acordos bilaterais setoriais. Quais seriam as metas de seu governo para o setor de fontes de energia alternativa? (enviada por Angelo Lira, de Campinas-SP) Alckmin - A grande fonte de energia alternativa que temos é a água, que está sendo abandonada. Nosso programa prevê a definição de um plano estratégico de avaliação ambiental para agilizar a aprovação de novas usinas, sem abrir mão do necessário rigor em relação ao meio ambiente. Em relação a novas fontes de energia, vamos investir em pesquisa tecnológica para viabilizar a produção economicamente viável da bioenenergia, utilizando as várias fontes que temos, da cana à mamona e soja; teremos um programa consistente de energia solar e eólica, para estimular as pesquisas, a identificação de áreas com potencial para a utilização comercial destas fontes. |
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