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Atualizado às: 18 de outubro, 2006 - 10h25 GMT (07h25 Brasília)
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Para diretor do Ibope, só fato espetacular muda eleição

Luiz Inácio Lula da Silva rindo
Segundo turno é o primeiro com a presença de um presidente
O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse em entrevista à BBC Brasil acreditar que só algum fato “muito sério e espetacular” mudará o resultado previsto pelas pesquisas de opinião para o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, no dia 29.

Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria reeleito hoje com pelo menos 12% de votos a mais que seu rival nesta disputa, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Uma nova pesquisa do Ibope será divulgada nesta sexta-feira e a expectativa, segundo Montenegro, é de que seja confirmada a liderança de Lula na corrida pelo Planalto.

Em entrevista por telefone, de seu escritório no Rio de Janeiro, Montenegro afirmou que 92% dos eleitores já definiram em quem vão votar e, dificilmente, mudarão de opinião daqui a dez dias.

“A essa altura, os dois candidatos já estão com os devidos votos consolidados”, disse. “A eleição no Brasil começou há muito tempo com a grande crise que afetou o país há 15 meses”, afirmou, referindo-se às denúncias de corrupção.

Na opinião de Montenegro, que acompanha o comportamento do eleitorado desde a volta da democracia, a imprensa já informou uma série de episódios, denúncias e crises ao longo de cerca de um ano e meio.

“Todo mundo já fez seu juízo”, disse ele.
Para Montenegro, os indecisos (que hoje representam cerca de 3% e 4% dos entrevistados) também não mudariam as chances de vitória de Lula, mesmo que todos decidam votar em Alckmin.

Por isso, Montenegro não acredita que uma estratégia ou “tática” de campanha servirá para mudar, nesta reta final, o voto do eleitor brasileiro.

Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristóvam Buarque em debate no primeiro turno
Para Montenegro, ausência de Lula no debate provocou 2º turno

Fatos inéditos

Esta eleição, observou, está marcada por quatro fatos inéditos desde a disputa eleitoral de 1989, entre Fernando Collor de Mello e Lula: a presença de um presidente que disputa o segundo turno, a mudança radical do perfil do eleitorado de Lula, um pleito que dividiu o país em Norte e Sul e uma decisão entre quem quer a continuidade ou o fim da gestão atual.

“Essa é a primeira eleição plebiscitária da nossa democracia. Lula sim, Lula não”, disse.

Para Montenegro, a ausência em debates na televisão tira votos dos candidatos, enquanto sua presença serve para consolidar a votação.

“Normalmente, quando os candidatos vão ao debate, não acontece muita mudança. A tendência é o eleitor continuar com seu candidato ou achar que ele foi melhor do que o outro (na discussão). Quando a pessoa não vai é que produz um fato novo”.

Segundo Montenegro, o presidente tem hoje um índice de rejeição de cerca de um terço dos votantes. Mas dos cerca de 40 milhões de votos que o ex-governador de São Paulo recebeu no primeiro turno, apenas entre 13 milhões e 15 milhões foram realmente para ele – daqueles que o conhecem no Estado paulista.

“E o restante, é mais anti-Lula do que Alckmin”, disse o diretor do Ibope.

Sobre as eleições estaduais, Montenegro acredita que não há influência do pleito presidencial.

“As eleições estão totalmente desvinculadas”, disse.

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